Vivemos um momento extraordinário
Moysés Pinto Neto
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Excelente. Concordo com quase tudo, só faço duas ressalvas.

Na primeira a minha desconcordância é na verdade com o Marcus Nobre , que você cita .

Me parece que a análise do Nobre, que no geral me parece muito boa, escorrega na demonização pura e simples do PMDB, retratado como força maligna do atraso, sem compreensão maior sobre o fenômeno.

Há razões que fazem o PMDB subsistir como maior força eleitoral, apesar das mudanças profundas que ocorrem no país. Atribuir a persistência do pemedebismo a genéricos clientelismo e arcaísmo, sem entrar no mérito de como se dão esses processos , me parece cair na velha escapatória anti-democrática da esquerda para justificar os seus fracassos eleitorais.

“O povo não vota na esquerda porque é ignorante e manipulado” é sempre e invariavelmente a explicação para todas as derrotas eleitorais da esquerda. Uma afirmação tão antidemocrática quanto a célebre “o brasileiro não sabe votar” do Pelé.

Ora , toda representação tem uma dimensão de clientelismo .É absolutamente natural que o cliente-eleitor espere que seu representante-fornecedor lhe traga melhoras palpáveis para o seu estado, cidade ou bairro. Ignorar isso, e imaginar que o eleitor votará apenas por identificação ideológica, é desconhecer como funciona a realidade da democracia representativa.

Admito que é preciosismo meu a ressalva , porque ao final do seu texto você põe o dedo na ferida indicando a necessidade de reformas profundas no sistema de representação.

Meu outro senão é com o seu texto mesmo , e está na oposição que você faz traça entre os liberais e a esquerda. É natural que vejamos o outro campo político como uma construção monolítica. Mas o desafio que a democracia nos impõe é superar as nossas desconfianças e ser capaz de enxergar as fissuras nesse pretenso monolito e trabalhar pela construção de políticas consensuais.

Se a multiplicidade da esquerda está se expondo, depois da debacle do PT, a da direita não está tão visível, porque o antipetismo ainda une as visões bastantes distintas que tem liberais, libertários , conservadores e proto-fascistas.

Me parece que para avançarmos na construção de novas propostas que representem avanços sociais reais, será necessário que se criem os consensos possíveis entre liberais com preocupações sociais e a esquerda democrática.

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