
Exausto
Acordo com olheiras infinitas
Apenas para ouvir dúbios comentários
De quem por mim não preza.
Abaixo os olhos, respiro fundo e caminho
Por entre aqueles corredores
De gente que falsamente me aprecia.
Só ouvindo suas conversas sem nunca delas fazer parte.
Sentado no mesmo banco em conjunto
Mas a tantos quilômetros de distância.
Esforço nenhum me leva para perto,
Porque de mim esforços não bastam.
Não me querem lá,
Então nunca chegarei lá.
Gostaria de aprender a ter:
Essa reciprocidade.
A fazer o que comigo fazem,
Retribuir os favores que a mim
São feitos com tamanha vontade.
Porque escolho carregar o peso de tudo sozinho
E por mais forte que eu esteja,
Já começo a fraquejar.
E, sinceramente,
Se ninguém além de mim
Carrega esse fardo todo,
Ninguém se esforça esse tanto,
É melhor logo eu soltar.
De uma vez só,
Livrar-me num ímpeto
Da responsabilidade
De lhes agradar.
E se por um acaso,
Durante a queda,
O peso machucar alguns pés,
Fiquem sabendo que
A mim machucaram tudo.
