O que eu aprendi me tornando uma pessoa solitária
Bom, faz algum tempo que todo meu círculo social parece ter pegado um trem para Terra do Nunca. O que antes significava uma viagem com os amigos hoje parece ser mais um dia de contemplação de si mesmo. Tecnicamente está tudo bem, mas ainda estou, de fato, me acostumando com a minha nova posição social. E existem coisas bem interessantes que você aprende sendo (ou estando) alguém assim, digo, sozinho.
As relações humanas são frágeis.
Infelizmente aprendi isso do pior jeito. Quando você vê todo seu círculo social saindo pela culatra, sem aparente motivo nenhum, a gente nota algumas coisas.
Parece que na maioria do tempo vivemos num estado de recompensação. Recompensamos a pessoa que nos deu companhia, fazendo companhia a ela. Simples e puramente isso.
O grande problema se encontra quando as pessoas podem acabar por não precisar mais de sua companhia.
Isto pode ocorrer por diversos motivos. Sei lá, não entendo as pessoas tão bem assim. O ponto é que a partir disso, se afastam com a mesma facilidade que se aproximaram.
Não estou dizendo isso pela dor de estar sozinho. Eu digo isso porque é o que eu noto. As pessoas são extremamente adaptáveis, e além do mais, como diz o Doctor, um dos maiores superpoderes da população humana é esquecer.
Esquecemos uma relação com simplicidade quando somos contemplados com outra. Não é algo ruim, na verdade, isso é uma habilidade que eu invejo bastante. Digo, eu sei que também a possuo, eu só, infelizmente, não sou contemplado com novas relações muito frequentemente.
A melhor companhia para seus pensamentos é você.
Isso não parece novidade nenhuma, e talvez não seja. Mas sinto que tenho que compartilhar (nota pós finalização do texto: a tal da coceira mental).
Quando somos amigos de alguém (ou temos uma relação minimamente recíproca) sentimos que precisamos contar para ela o que acontece conosco. É característico nosso querer expor para os outros sobre nossas tristezas, alegrias e acontecimentos no geral.
Somos pessoas sociais, afinal.
A minha mais recente epifania foi sobre exatamente o que compartilhar com as pessoas. É comum surgir aquela coceira mental de querer comentar com alguém sobre determinado algo, não é?
O que posso dizer sobre isso é que talvez sejamos a única pessoa que precisa saber sobre o que você sente ou sabe.
Compartilhar com a gente mesmo é uma tarefa árdua e exaustiva. Parece não preencher nossa cota de sociabilidade diária. Mas traz recompensas. O feedback é próprio, logo, é inviável haver decepções. Você já sabe o que esperar de você mesmo quando compartilha algo consigo mesmo. E é nessa parte que está a magia da coisa toda.
Às vezes temos que desistir de procurar.
Quando eu estava no começo da minha solidão inevitável, o que eu mais fazia, sem dúvida nenhuma, era procurar alguém. Eu comecei, e ainda começo, a me sentir ansioso em qualquer momento que não estou junto com alguém.
Meu corpo emocional se tornou intimamente dependente da aprovação social de outra pessoa. Mas tive outra epifania e percebi que aquilo não me levaria a lugar algum. Desse jeito adquiri o pensamento de que eu posso ficar sozinho pelo tempo que for, se eu souber que isso é o melhor pra mim.
Quem sabe eu fique louco, não duvido, pessoas solitárias costumam ficar. Mas sinto que estou fazendo o possível com a situação que a vida me deu: a solidão.
Isso parece ir contra um texto que fiz aqui há um tempo. Onde eu dizia que felicidade era ligada ao seu feedback do mundo.
Eu ainda acredito nisso. Só que dessa vez aprendi que o feedback pode ser dado por outros fatores que não pessoas. E isso é bom, na verdade: ótimo.
Agora posso prosseguir evoluindo sem precisar da aprovação de relações tão frágeis quanto linhas de costura.
Ainda estou me acostumando, como disse, com essa vida de autoconhecimento e complacência. E espero saber o que estou fazendo das coisas, e se eu não estiver, bom… a gente erra, não é?

