Quão infinito pode ser o nada?

Minha cabeça claramente decidiu fazer de hoje meu inferno pessoal. Todos os meus neurônios devem ter tido a mesma ideia de uhul vamos ferrar com ele.

Eu acordei depressivo, eu me vesti depressivo, dessa vez não tomei meu banho matinal, talvez o juiz da minha mente diga que esse é o grande motivo do meu declínio emocional. Por que sempre temos que nos culpar por algo que claramente não é nossa culpa? Vim à aula depressivo, tomei meus remédios antidepressivos, depressivo. E continuo depressivo.

Nada está me trazendo alegria, tristeza, euforia, ansiedade, algo. Acho que esse é o conceito básico de um dia assim. Mas, sinto necessidade de enfatizar já que no mundo as possibilidades são infinitas e nenhuma delas estar fazendo seu papel de causar algum tipo de efeito em mim é d’uma probabilidade quase nula. Matematicamente falando é quase ilógico na infinidade de coisas existentes nenhuma delas lhe causar alguma coisa.

Matemáticos não sabem nada de depressão.

Nula, nenhuma, não. Meu dia está cheio de palavras tristes começadas com N.

Nada.

Quando paro para pensar o quão grande é o nada me assusto. Me assusto ainda mais quando penso no quanto esse nada representa na minha vida. O infinito do nada hoje faz mais sentido que qualquer alegria limitada.

Eu me sinto perambulando pelo colégio como um palhaço num circo vazio, sem ninguém para ver o espetáculo que é o meu dia triste. Minha vida.

Meu único recurso é minha imaginação desenfreada e sua habilidade defensiva de pensar em milhares de assuntos nada importantes para ocupar o nada. Mas o nada sempre vence já que minha imaginação pertence à minha cabeça, que hoje, está dominada pela infinidade (ou seria desinfidade?) do nada.

Não queria repetir a palavra tantas vezes num dia só, mas é impossível descrever o que um depressivo sente num dia desses, a não ser com um grande e belo nada.

Show your support

Clapping shows how much you appreciated Benjamin Cícero’s story.