A importância de acreditar nos sonhos, projetos e abrir as asas

Sabe aquele projeto que você fica adiando há anos? Então, comecei essa semana. Agora estou com um blog em inglês também hospedado no Blogspot, a minha plataforma favorita de blogs. Poucos dias de vida e o blog já está recebendo visitas de leitores de diferentes lugares do mundo (entre eles, Estados Unidos, Eslováquia, Alemanha, França, Portugal, Irlanda, Países Baixos, Polônia, Canadá e Ucrânia) o que é bem legal, já que a proposta foi justamente a de alcançar um público maior e diferente e a língua portuguesa não é tão falada em muitos países, como a língua inglesa.

O texto de hoje é para lembrar a importância de acreditar nos próprios projetos e abrir as asas. Já parou para pensar na quantidade de coisas que você ficou deixando para depois, colocou no papel e nunca realizou? Pois é. Tenho uma lista de projetos assim guardada dentro da minha mente. Infelizmente, a vida é muito curta e não dá para fazer tudo o que temos vontade, mas quando fazemos escolhas e temos foco, algumas coisas nos surpreendem. É preciso coragem para trilhar sua própria jornada. Conversando com um colega escritor internacional e best-seller pelo mundo, me dei conta de que ou eu poderia passar a vida inteira refém de um cenário e realidade completamente diferente do mercado editorial norte-americano ou poderia me arriscar. Além de ser autor, ele também é editor, então, ele imagina as minhas dificuldades por aqui, mas me tasca a pergunta: “O que te impede de publicar fora?”. De repente, fico pensando na esperança e no trecho do filme que define bem a vida de autores brasileiros que não desistem.

“A porta está trancada”
“Nesse caso, crie a sua própria porta” — O Labirinto do Fauno, Guillermo del Toro

Traduzir o meu conto Para Sempre Uma Estrela está nesta lista de projetos que comecei e não terminei. A história foi publicada na Amazon em português e em francês com tradução do Luiz Fernando Mongenot, mas não chegou a sair a versão em inglês — e a capa do conto está pronta há anos. Apesar de conter a mesma personagem nas três capas, usei diferentes imagens. A ideia inicial era que as traduções fossem lançadas na mesma época. O que me desanimou a continuar na época? Um pouco de falta de foco, tocando tantos projetos paralelos. Esse ano mesmo decidi não renovar parceria com editoras aqui no blog, para que eu possa ter mais energias para meus próprios projetos profissionais e abrir um pouco mais de espaço para mim mesmo.

Publicado originalmente na antologia Mentes Inquietas em 2013, o conto se foca na história de dois personagens que estão passando por uma crise. Gosto de explorar essa ideia em minhas narrativas, de personagens que lutam contra seus próprios demônios e tentam sobreviver em um mundo em que as pressões sociais são tão fortes, que os outros querem que você seja qualquer coisa, menos você mesmo. Ser escritor no Brasil, por exemplo, é visto como um passa-tempo, vagabundagem, entre tantas outras coisas. Poucas são as pessoas que percebem o potencial de construir uma carreira como autor profissional por aqui. É uma questão um tanto problemática e que acaba deixando muita gente frustrada. Muitas vezes, é mais fácil um autor ser publicado fora do país, para que as portas se abram para ele por aqui do que o contrário. Sem mencionar as inúmeras possibilidades que este contato podem trazer, como diferentes contratos de publicação e adaptações. Torço para que o mercado editorial nacional se abra mais, mas acompanhando a jornada de vários colegas escritores, vejo que ainda vai levar um bom tempo para isso.

Quem acompanha o meu blog há um bom tempo já sabe que meu sonho é seguir carreira como escritor profissional. As coisas, no entanto, acontecem muito devagar por aqui. Leva um tempo até que muitos autores tenham coragem de admitir em voz alta que eles escrevem livros. Por que? A falta de hábito de leitura tão comum no país faz o ofício parecer desnecessário para muitos. “Por que escrever quando muitas pessoas não leem? Por que escrever quando as pessoas preferem assistir televisão ou jogar vídeo-game?”, alguns se perguntam sem se darem conta de que programas televisivos, filmes, jogos, seriados e até mesmo alguns reality shows são escritos por roteiristas. As palavras estão em quase todos os lugares. A escrita move o mundo. Aquele youtuber favorito que muitas pessoas gostam de acompanhar, muitas vezes, tem o seu próprio roteiro, mesmo quando pensamos que se trata de algo completamente espontâneo.

Guardei durante muitos anos os originais do meu livro na esperança de que o mercado editorial estaria mais aberto e eventualmente eu conseguiria entrar. Recebi propostas que não eram exatamente o que eu esperava e tenho me aventurado pela jornada do autor independente. Há muitos desafios. Por exemplo, meu livro de terror, Escrita Maldita ganho uma versão impressa, mas até agora não consegui obter meu próprio exemplar. Explico: o livro é impresso nos Estados Unidos pelo serviço da Amazon e mesmo tendo uma opção de pré-visualização, estou ansioso para conferir como é o material deles e se o projeto gráfico ficou legal. Optei colocar na Amazon, adicionando a possibilidade do leitor adquirir a versão física do livro, já que o romance de horror estava disponível somente no formato de eBook para Kindle. Mesmo sabendo que ainda há muita resistência com livros digitais no Brasil e com a baixa do volume de vendas, o feedback dos leitores têm me deixado bastante animado para continuar me aventurando na escrita e publicação independente.

Em breve também devo publicar a versão impressa do meu livro O Círculo, o primeiro da minha série de fantasia com temática de bruxaria disponível no Wattpad. Até o momento, a obra conta com mais de 50 mil leituras (somatória das leituras dos capítulos, métrica usada pela maior plataforma de livros online). A previsão inicial é de que a série tenha cinco livros centrais. Também devo explorar algumas histórias paralelas em outras narrativas, como contos. Há muita coisa para contar sobre o universo. Atualmente, estou escrevendo o segundo volume da série chamado O Livro, que também tem conquistado os leitores. É muito boa a sensação de reciprocidade, de escrever para alguém interessado na leitura, que interage com a história por meio de comentários e votos, puxa a orelha quando você fica muito tempo sem publicar capítulos novos e se identifica tanto com os personagens a ponto de se sentir dentro do livro.

Sonhos exigem sacrifícios e também organização. Conciliar a escrita, produção de conteúdo para blog, gravação de vídeo (mais uma pendência da minha lista de coisas que preciso fazer), criar a própria capa dos livros, diagramar, criar planejamento de marketing e peças de divulgação, se aventurar por diferentes plataformas sociais, responder os leitores e ler até você esquecer o próprio nome. Que horas eu respiro? Ultimamente quando estou no tapete de yoga praticando e meditando. Assim como a escrita ajuda bastante e a caneta e o papel se tornam um só quando as coisas fluem, o yoga me ajuda a manter meu alinhamento interno e recarregar as energias. Somos tão finitos. Estaria mentindo se eu dissesse que já não passei por várias crises de ansiedade e exaustão, mas se no ritmo alucinante de trabalho (sim, eu vejo como um trabalho, embora sempre tem alguém para desvalorizar o ofício do escritor e produtor de conteúdo) as coisas ainda estão bem longe do que eu gostaria, fico imaginando como seriam se eu fizesse menos. Sonhos são tão pessoais. Mesmo quando outras pessoas têm objetivos parecidos, poucos são os que entendem o que realmente sentimos nesta jornada e tenho sorte de encontrar alguns colegas escritores tão focados quanto eu, cada um à sua maneira, fazendo os seus planos malucos e sempre seguindo em frente, mesmo com os inúmeros desafios pelo caminho. O importante é que cada um saiba qual é o seu propósito.

Ser escritor, para mim, é algo devocional, é uma dedicação diária com esse universo das palavras. Um usuário de uma plataforma de perguntas e respostas perguntou o que as pessoas achavam quando alguém dizia que era escritor. O autor da pergunta queria claramente uma resposta negativa, afinal, é um meio de muitos egos inflados e acredite, até para os próprios escritores é difícil sobreviver no meio da selva. “Eu penso em alguém que tem sonhos e ama escrever. Eu não posso pensar em outro jeito de descrever um escritor […] Eles não escrevem só por dinheiro, mas deve ser legal devotar sua vida fazendo algo que você ama”, respondi. Quem vê livro publicado não imagina quantos outros livros não foram escritos só para serem jogados fora, quantos rabiscos têm como destino o lixo. Apesar de ter um lado belo e inspirador na escrita, a maior parte é um trabalho braçal. Musas vêm e vão, mas como diria Laurence Loud, o personagem de Escrita Maldita: “Um escritor que não escreve é útil como um relógio quebrado” e quantas dessas pessoas que se frustraram com a escrita e aterrorizam a vida de outros autores não existem por aí?

Quando muita gente que desconhece a realidade de ser escritor no Brasil descobre como as coisas são, entre as principais perguntas estão: “Por que você continua insistindo?”. Bom, pode parecer clichê, mas não me imagino não escrevendo. Escrever é parte de quem eu sou, é a cola que mantém unida todos os meus fragmentos, mas que também me ensina a desapegar e a refletir sobre tantas convenções erradas que são passadas de gerações a gerações. Quando você tem sonhos e projetos, ou você acredita neles e investe sua energia diariamente ou, eventualmente, eles acabam morrendo — por isso é tão importante celebrar as pequenas vitórias. Ninguém vai te mandar fazer algo que é do seu interesse, principalmente em um mercado extremamente fechado e competitivo, como é o cenário brasileiro. Escrever não é um hobby, não é só um ofício, é o que eu mais amo fazer e ainda bem que é recíproco. E lá se vai mais uma madrugada cercado de textos e livros!

*Ben Oliveira é escritor, blogueiro e jornalista por formação. É autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e do livro de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1), disponível no Wattpad.