Real Madrid e Lopetegui começam trajetória em meio a dúvidas e esperança

Após uma pré-temporada razoável e cheia de dúvidas, Lopetegui finalmente parece estar encaixando o time a cada 90 minutos. Depois de um sacode na Supercopa, alguns torcedores ficaram inquietos em relação ao técnico espanhol, mas nada que fosse durar por muito tempo. O peso nas costas do Lopetegui e a sombra do Zidane não irão desaparecer de repente, mas também não deve pesar tanto nesse início da Era pós-CR7.
O principal ponto notado na partida contra o Atlético foi como o time reagiu mal à saída de Casemiro, que até então tinha segurado as pontas na sua função. Utilizando da formação que conta, somente, com Casemiro e Kroos de volantes, a equipe dependia totalmente do posicionamento do camisa 14 ao perder a posse da bola, situação que foi recorrente na partida. Como a equipe de Simeone é especialista nesse quesito, a zaga merengue ficou totalmente exposta e sem reação, ainda mais com a ausência do brasileiro, resultando em um baile dos “colchoneros” para virarem a partida.

Lopetegui usa da alta posse de bola a sua principal arma e tem Toni Kroos como seu principal soldado para que tudo ocorra bem. Toni é o motor do time, faz a bola girar de um lado para o outro e com lançamentos admiráveis. Quando não tem Casemiro ao seu lado, faz uma função diferente do que vinha fazendo com Zidane, jogando um pouco mais recuado, porém com mais mobilidade e mais espaços, como foi contra a equipe do Getafe.

Com o brasileiro ao seu lado, acaba caindo mais pela esquerda como usual, e tem uma liberdade maior para avançar, apesar de não fazer com muita frequência.

Se adaptando a cada jogador e olhando justamente para o seu meio-campo, o Real Madrid intercala entre várias formações. Com Modric é um 4–3–3 clássico, com o trio de volantes que vem encantando o mundo nos últimos anos. Luka é um jogador bastante técnico, porém se conserva mais caindo pela direita, se juntando aos alas tentando abrir a defesa adversária. Na maioria das vezes se apresenta mais à frente em comparação a Kroos e Casemiro, mas não se infiltra na área com muita frequência. Quando temos Asensio e Isco em campo o time é mais livre nessas posições e acaba se encaixando em um 4–2–3–1 Bale completando a linha de 3, e com bastante movimentação por parte dos atacantes, como vimos contra o Girona.

Com certeza muitos devem pensar que os titulares são Isco e Modric, e pode-se considerar que seja, mas Asensio cresceu de forma considerável durante as primeiras partidas da liga e de fato aproveitou bem suas chances como titular da equipe. Isco quando começou jogando não encheu os olhos de quem viu, mesmo com o belo passe para o gol de Bale contra o Girona.
Asensio está bem na frente na questão desempenho e física, porém não tem como saber pelo que Lopetegui optou quando colocou Modric no time titular contra o Leganés. A opção de manter Asensio e colocar Isco no banco pode ter sido pura meritocracia, ou também por Isco já vir de um declínio físico desde o fim da Copa do Mundo e ainda ter iniciado as duas partidas anteriores. Independente das motivações de Lopetegui, ele fez o certo. Asensio foi, mais uma vez, fundamental para a equipe marcar gols, e não é só pelo pênalti sofrido. Bem antes disso, em jogada trabalhada com Marcelo, o jovem espanhol cruzou para Benzema colocar o time “blanco” na frente do placar novamente e deslanchou na partida.

Início de temporada sempre requer mais atenção, jogadores estão recuperando suas estruturas e conforme o passar dos jogos cada caso vai se desvendando com mais facilidade. Isco sempre foi bem utilizado quando comandado pelo técnico espanhol na seleção, que tirava o melhor do jogador a cada partida, e não tenho dúvidas de que isso irá se repetir com a camisa do Real Madrid. É tudo uma questão de tempo.
A conclusão é que a posse da bola se distribui por todo o ataque. Não é nada forçado por um só lugar, o jogo é bem vertical e os laterais mais fazem parte da rotação da bola do que ataque em si. O que mais agrega a esse estilo é a qualidade dos passadores, fora os meias, claro… Tudo fica mais fácil quando se tem zagueiros com excelência no passe.
Os desafios são cada vez maiores, não é a mesma agressividade que Zidane impunha e que conquistou a Europa apenas três vezes consecutivas (haha). Você pode se perguntar: Isso uma hora vai fazer falta? E já te respondo: Óbvio, mas nada que um bom trabalho não resolva, motivações não faltam.
