Prometo solenemente fazer tudo-de-bom.

Acabou mais um semestre com a mala cheia de coisinhas.

Acho quem me conhece sabe que eu sou um morador de São Paulo que não tá lá — eu faço faculdade de psicologia aqui em Assis. Nesse exato momento, falta uma hora e vinte quatro minutos pra eu sair daqui em direção de volta de novo pra minha cidade que nasci, cresci e morri. Bate o desespero de acabar a minha mala a tempo e de escrever o que precisa ser escrito o mais rápido possível.

Sabe que esse movimento de ir e voltar pra São Paulo de meses em meses já se tornou usual pra mim. Já até me acostumei de que eu sou um transitante e que, não dá pra estabelecer nada em nenhuma das duas cidades. Fora o cotidiano, não é nada fora do comum. Quando bate a saudade volto pra lá e quando não bate mais eu volto pra cá — e assim vai até eu me formar.

Mas esse semestre foi um tantão diferente, e fazia tempo que não era diferente assim. Saca: teve gente que entrou na minha vida que nem garoa e foi saindo soltando raios e trovões pra tudo que é canto, fez um estardalhaço que só — mas mal soube você quem tá na chuva é pra se molhar. Uns dias depois ele reapareceu como se não quisesse nada no meio de uma Avenida Paulista em dia de feriado — e realmente não queria. Mas eu queria, e de preferência, encher a bagagem. Bom, enchi a bagagem de passado e dessa vez quando chegar lá quero ir numa feira de pulgas bem porquinha pra trocar imediatamente por futuro — e da melhor versão, por favor.

Sei que esse texto não deve estar fazendo muito sentido — e provavelmente não deve fazer. Mas ele serve de um juramento pessoal. Me prometi promessas grandes quando reolhei pra minha maleta do passado. Promessas e dívidas que não veem de hoje e bom, espero ter força e esperança pra não abrir mão delas—não mais uma vez. Inclusive, vocês sabem que a esperança é uma velha ranzinza que tem por hábito nos habitar de preferência nas segundas-feiras. A gente não costuma gostar muito de gente velha.

Vou voltar para cá com uma mala totalmente nova e cheia de coisas. Tipo doutor bugiganga. Mas, pra isso eu vou ter que me esforçar e futucar e tirar coisas velhas de uma mala muito mal usada pelo um passado que não soube a hora de trocar. Mas essa hora definitivamente chegou.

E bom, quando eu voltar, apostem: a bagagem estará diferente.
Com sorte cheia de lembrancinhas.

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