Security tokens: o início da nova era.

*Shutterstock

Publicado originalmente em Tokenized Ideas (Infomoney).

No meu post inaugural neste blog, fiz uma introdução sobre Ativos Tokenizados e contei um pouco sobre a minha visão para o futuro deste mercado nos próximos anos. Passados dois meses do post inaugural, atualizo aqui minha perspectiva levando em conta os principais desenvolvimentos do mercado desde então. Aproveito pra deixar claro que é uma abordagem bastante pessoal, pois não fiz nenhum levantamento consistente e estatístico de dados. Por outro lado, tive a oportunidade de conversar com a maior parte dos players globais que estão na vanguarda do segmento. Algumas informações aqui, portanto, são inéditas na mídia brasileira.

Sem dúvidas a grande notícia das últimas semanas no mercado é que finalmente temos os primeiros dois security tokens negociando em uma exchange. As negociações ainda são tímidas, sem grandes oscilações de preço e com pouco volume diário; mas vieram pra ficar e marcam o início de uma nova era no mercado. Estão sendo negociados na Open Finance, os tokens da Blockchain Capital e SPiCE VC. Para mim, este é o fato mais importante do ano considerando todo o mercado de blockchain e cryptoativos.

Pode parecer pouco relevante mas, fazendo uma analogia, há muitos anos alguns “malucos” acharam que seria legal trocar músicas pela internet ao invés de trocar fitas ou CDs, e através do .mp3 (e principalmente com o Napster) começaram a trocar as primeiras músicas na internet. Não preciso contar o resto da história, certo? Aliás o documentário Downloaded é muito bacana pra quem não viveu esta época (e pra quem quer ficar nostálgico de lembrar). O fato é que as primeiras negociações provam que é possível trocar valores mobiliários pela internet com muito mais vantagens agora. Eu mesmo testei e fiz uma compra de SPiCE e de BCAPs na plataforma esta semana.

Mas esta notícia não é isolada, outros fatos demonstram o amadurecimento do mercado:

  • A Harbor, investida pela Andreessen Horowitz e Pantera Capital, lançou sua uma plataforma de security tokens com uma emissão de US$ 20M.
  • iStox levantou dinheiro com a SGX (Stock Exchange de Singapura) e Temasek.
  • Coinbase e Blockchain Capital investiram na Securitize.
  • Ravencoin começa a ser usado para negociar security tokens, com uma transação de US$ 3.6M da Chainstone Labs, fundada por Bruce Fenton e investida pela Overstock.
  • Neufund realiza seu primeiro ETO (Equity Token Offering), na Europa.
  • tZero deve começar a negociar nas primeiras semanas de janeiro.
  • Há pelo menos 20 pedidos de licença para negociar security tokens em andamento em Singapura, uma das jurisdições mais amigáveis ao segmento.
  • Diversos protocolos e padrões foram lançados e/ou estão sendo implementados, como por exemplo o Millbrook Accord, liderado pela Blockchain Token Association.
  • Há a expectativa de pelo menos mais quatro exchanges começarem a negociar security tokens ao redor do mundo no primeiro semestre de 2019.

Já no Brasil, a Kria lançou a Basement, que será uma plataforma para negociação de security tokens adequada ao mercado brasileiro. A própria oferta está sendo tokenizada, via instrução 588 da CVM, porém ainda não está claro se (ou quando) os tokens poderão ser negociados, já que a 588 restringe a negociação em mercado secundário. Há a expectativa de que a CVM abra exceções para adaptar a 588 ao mercado ou desenvolva uma instrução nova específica. Torço para que avance rápido e que o Brasil seja também vanguarda e não fique pra trás do mercado internacional. Há outras outras ofertas de tokens lastreados em ativos brasileiros sendo estruturadas, mas internacionalmente. Além do BR11, oferta a qual faço parte, há ao menos 3 instituições financeiras de grande porte trabalhando em STOs próprios e outros projetos de players diversos, principalmente na área de energia e real estate.

Mesmo diante do bear market nas cryptomoedas e o fim da era dos ICOs, os players que estão construindo a infraestrutura para o mercado de security tokens avançaram muito nestes últimos meses, e com o início das negociações em exchanges, os investidores que estavam receosos da capacidade de haver liquidez para os security tokens começarão a se sentir mais confortáveis para investir.

Acredito que veremos em 2019 um ciclo parecido com os anos de 2014/2015 no mercado de blockchain. Ou seja, menos volatilidade nos preços dos ativos e mais dinheiro entrando via equity nas empresas, gerando mais desenvolvimento de fato na tecnologia e melhorias nas plataformas. Acredito que as primeiras ofertas de security tokens do ano devem ser bem sucedidas, o que iniciará uma nova onda de investimento em tokens, mais pro final de 2019, similar à onda dos ICOs de 2017 e início de 2018. Porém de forma mais sustentável, com a rentabilidade condizente com o lastro de cada token e a liquidez com o crescimento das exchanges de security tokens.

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