Nepal

Aqui era um país.
Virão outros dias 
De acordar cedinho
Ouvir passarinhos
Esperar mensagens
Sorrir para estranhos
Conversar com vizinhos
Dormir nas sombras das árvores
Deitar em lençóis limpos
Sorvete nos dias de sol
Risos de crianças
Ver fotos antigas 
Estrear roupa nova
Aniversários
Chocolate
Amores
Palmas
Sonhos
Grama. 
A paz estará de volta
Cavada e frágil.

Ter
Remoto.

Sobreviveremos ao amor da Terra por nós?
Largo e permissivo

Amor cismado e sísmico

Mãe coruja, sentada em ovos frágeis

Instintivos tremores nas ancas aflitas
Vão se abrindo, lentamente, rostos chocados

Rachaduras de espanto em seu ninho

Acordariam nossas almas abaladas em um mundo secreto?

Ela não sabe. 
Em seu trabalho de parto eterno

Nascerão outros 7 mil filhos de carne

Das convulsões do epicentro.

Do silêncio nos cemitérios.

Embala, não dorme ,opera

Entoando cantigas misteriosas

De pasmar assombrações.

Desloca-se de um lado ao outro

Em seu quarto cintilante
Sem berços ou cantos.
Estrelas adesivas no teto,

Mobiles de meteoros gigantes,

Gorda, sagrada e faminta

Filhos nas tetas.

Geólogos, parteiras, os tais escafandristas

Dormem fundo no tempo 
Nas fendas do colo

Um sono acidentado

Suas criaturas agora choram

Lágrimas de areia e escombros 
Já não sorriem a estranhos
Não se importam com os pássaros
Imploram, com pernas e braços

Magicamente, um ninar cuidadoso.

Que ao se mover, mãe,

Com seus chinelinhos de algodão e nuvens

Vestida de azul leitoado,

Espreguiçando-se no espaço,
Para por sua mão bem pertinho,

Ver se nosso coração ainda bate,

Não se debruce tanto, 
Ao ponto de permitir

Que os demônios das cidades destruídas

Dêem bom dia em seu nome.

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