Que doido né

Ø
Ø
Aug 31, 2018 · 2 min read

Eu sei que seu despertador tocou porque você me aperta e respira fundo como faz toda vez que acorda. Pouco por isso, pouco pelo som do celular. Penso em falar que vou sentir sua falta, mas deixo isso pra daí uns minutos, quando tiver mais acordada. O despertador toca de novo e foi mais rápido do que eu tava esperando. Faltam um ou dois, eu acho. Você ainda não me soltou pelo menos. Tinham algumas coisas que eu queria falar mas não quero chorar agora, então guardo pra quando você levantar. Quando o celular toca de novo eu já to mais conformada, não tem muito o que fazer.

Você levanta, também mais rápido do que eu esperava, e eu não fico imediatamente com frio porque a cama ainda tá quente. Sinto a mesma vontade de chorar da vez que você foi embora naquele domingo muito de manhã e me deixou dormindo, como se eu realmente fosse dormir. Inspirar por vários segundos e pensar em outra coisa, pra chorar só quando você for embora. Acho que aquela vez eu consegui dormir, mas só algumas horas depois. Do quarto, eu ouço você fechando a porta do banheiro e penso que é a da sala; foi o despertador que plantou essa ansiedade. Não quero falar as coisas pela metade então não dá mais tempo de falar nada, não quero te atrasar.

A cama já esfriou quando você volta e da pra sentir cheiro de sabonete. Recebo uns beijos e fico mais calma, não lembro mais o que tava pensando em dizer. Uns dois ou três tchaus e você sai do quarto, não sei nem se respondi. Seu travesseiro e o barulho que o portão do seu prédio faz quando alguém fecha são tão familiares que eu não vou sentir saudades de você enquanto estiver aqui. Você volta, mais uns tchaus, “agora tenho que ir mesmo”, um beijo e pronto. Não faz muito sentido, nem são tantos dias, pra que tanta coisa. Acho engraçado que você quase chora no ônibus; eu choro imediatamente depois de você fechar a porta.

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    subjetiva porém marxista