Para todos os contextos... Vale a pena Sentir de novo

Há muitos anos, conversando com uma queridíssima amiga, num tempo em que ainda pouco nos (re)conhecíamos, chegávamos a conclusão que com o tempo precisaríamos reler alguns livros, rever filmes, voltar a ouvir "aquelas" músicas...

Com o tempo, algumas passagens, sons, contextos, histórias, e mesmo personagens, ficam escondidos em um canto da memória por algum motivo...

Às vezes, 10, 20, 30 anos depois imagens, retratos, textos, notas, acordes, harmonias, frases, palavras... tudo fica como uma vela acesa quando está pela metade: não tem nem a luz necessária do início nem a luz imprescindível do final da vela, aquela chama que nos leva para o próximo livro, filme, disco. Tudo está ali, dentro e fora, de você e do objeto, mas um pouco "apagado". Com certeza, não foi, até então, devidamente incorporado, interiorizado.

É como quando praticamos algum esporte e, se paramos por um tempo, precisamos reaprender movimentos, técnicas... O mesmo quando deixamos de tocar um instrumento. A gente não esquece, mas o reinício não parte do ponto em que estávamos. É preciso rememorar, e com muito treino.

Ao retomar aquilo que já fizemos, lemos, ouvimos, assistimos, além de relembrar, adquirimos ainda mais conhecimento, mais precisão dos fatos, das técnicas. Porque nosso cérebro e cada célula do nosso corpo agora que já vivenciou outras experiências, tem mais elementos para compreender, visualizar, sentir.

Eu entendo que é muito bom ler, ouvir, assistir coisas novas; autores novos, roteiros, filmes novos, novos sons, harmonias. Mas é igualmente bom ir em busca do tempo perdido... Bom para a memória… para a mente, o corpo e o espírito…

Estes experimentos passados, trazidos para o presente, acabam acionando aspectos importantes, porque nós mesmo nos revemos.

O objetivo é avançar, evoluir com mais consciência (quem somos, onde estamos, para onde vamos…).

Se escrever é uma cartase, o que significa (re)ouvir ou tocar "aquela" música novamente? O que significa reler, rever? Seria redescobrir nossa própria essência?