Mesmice x Rotina

Beatriz Bernardo
Nov 4 · 2 min read

Hoje, na fila do banco – ouvindo o novo álbum de uma banda que sempre curti muito – como já era de se esperar não consegui terminar nem a segunda faixa. Por esse simples motivo, me peguei pensando em como foi que criei tamanha repulsão por coisas novas que tentam entrar na minha vida – do mais simples que seja – eu sempre resisto com garras e dentes mantendo muito firme a idéia de que o antigo sempre vai ser melhor.

Isso se encaixa em simplesmente tudo.

No álbum da banda, no trabalho, no relacionamento, no meu momento de vida..

Já foram incontáveis as vezes que me peguei caindo em plena sanidade, do nada, no momento em que eu estou simplesmente vivendo algo real, mas ao mesmo tempo, vivendo algo totalmente diferente dentro da minha cabeça. Quando isso acontece, é tão insana a sensação de viver dois momentos num só que instantaneamente

percebo,

que na verdade,

eu não vivi nenhum dos dois.

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Por este motivo (e provavelmente muitos outros), entendi que desde sempre tenho necessitado cair em uma mesmice onde nada acontece, nada muda, nada se transforma. Logo que caio em algum tipo de rotina, eu levo tão a ferro e fogo que tudo passa a ser exatamente igual.

É aí onde mora o perigo.

Já é de se imaginar o que acontece quando alguma coisa sai fora dos trilhos.

Eu simplesmente não consigo suportar.

A coisa desanda só um pouco e eu já não consigo aceitar a ideia de que não vai ser mais como antes. Não consigo entender que o momento mudou, a vontade mudou, a ideia mudou, a casa mudou, o país mudou, tudo mudou.

O medo da mudança é tão grande que eu não quero que nada aconteça; mas em um mundo em que se é preciso estar sempre buscando sobreviver; não posso existir sozinha.

Consequentemente, fatores (e pessoas) externos contribuem sempre para o desandar da carruagem; o que é absolutamente normal, considerando o fato de que somos completamente únicos, e estamos sempre convivendo – e discordando.

É exatamente nessa linha do convívio, onde a minha vontade de permanecer no mesmo e a existência de outra pessoa -que eu amo -mas que está em constante mudança; faz com que os vagões se choquem.

e como se fosse real,

pra mim

a vida acaba ali.

    Beatriz Bernardo

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