“Cafézinho com Escobar” escancara a elitização do Maracanã

Alguns músicos, letra chiclete e um lugar popular da cidade são os elementos do “Cafézinho com Escobar”, do “Globo Esporte”, do Rio de Janeiro. O quadro costuma ir ao ar depois da rodada do final de semana do Campeonato Brasileiro. Divertidíssimo, mostra a essência do carioca como torcedor. A irreverência e o humor são marcas registradas. O aglomerado de pessoas brincando e tirando onda com os rivais, sem se importar se a equipe do coração perdeu, arranca gostosas gargalhadas. A maioria está ali para isso mesmo: se divertir e falar da paixão pelo futebol. Relembrando a boa e velha geral do Maracanã.

Depois das zoações da galera, no entanto, surge a reflexão: quantas dessas pessoas têm a possibilidade de frequentar a nova versão do antigo maior estádio mundo? Acredito que uma pequena parcela. Os ingressos cada vez mais caros limitam a possibilidade de assistir o time mais de perto.

Quem frequenta o Maracanã há anos sabe que a mudança de público foi notável. Há pouco ou quase nenhum espaço para as camadas mais baixas da sociedade. Os clubes se defendem alegando a necessidade de arrecadação, cada vez maior no futebol moderno de cifras milionárias. Para piorar, exigem a associação como forma de “amor”. Mas esquecem que R$30 ou R$40 por mês, mais o valor do ingresso — mesmo com desconto — podem fazer uma falta danada num país com salário minímo de R$937.

A solução não é tão complicada. Basta reservar um setor com bilhetes mais acessíveis. Há inúmeros exemplos desta prática mundo afora. Enquanto isso não acontece, lembraremos da antiga diversidade do estádio através da TV. É o que resta…