O Botafogo na Libertadores e a experiência que não tive

A maioria das crianças escolhe o time de futebol pelo qual vai torcer por influência dos pais. Não foi o meu caso. Filho de mãe tricolor e pai botafoguense, me tornei vascaíno. Os dois nunca ligaram para futebol. Quando pequeno o Gigante da Colina era o time a ser batido. Empilhava taças. Posso dizer que primeiramente a escolha foi por conta do histórico vitorioso. Depois de conhecer a história do clube a paixão explodiu de vez. Me tornei um doente por futebol. Vidrado pelas quatro linhas, queria frequentar os estádios.

Como toda boa matriarca, dona Kátia Argento fazia o esforço e me carregava para o Maracanã sempre que possível. Foi assim que vi os títulos do Campeonato Brasileiro de 2000 e do Carioca de 2003. Meu pai também me levou algumas vezes, mas não era o maior fã. Para se ter ideia, no dia que o Botafogo foi campeão carioca em cima do Flamengo, em 2010 — com cavadinha do Louco Abreu e tudo — liguei para ele gritando “é campeão” e ele respondeu com um “O que houve, você está bem?”. Ou seja, nem sabia o que estava acontecendo. Como podem ver, nunca possuí aquela relação familiar de torcer para o mesmo clube, de ter com quem conversar em casa sobre os resultados da rodada de final de semana.

Isso mudou com a chegada do meu querido padastro. Botafoguense e tão louco por futebol como eu, o esporte é nossa pauta principal. E com a classificação do Glorioso para Libertadores da América o laço se estreitou.

Ele não acompanha os jogos pois alega que fica muito nervoso. Então, eu fico encarregado de assistir a peleja e passar as informações. Quando eu chego correndo e vou abraça-lo ele já sabe: gol do Botafogo. Se apareço de forma mais pacata nem preciso abrir a boca: “Tomamos, né?”.

Mesmo não sendo alvinegro, é legal demais esse sentimento de torcer junto. Essa coisa pai e filho. Entre nós, não há rivalidade que se equipare ao prazer de ver a felicidade estampada no rosto do outro. Que Pimpão, Camilo & Cia permitam que a alegria continue pelo resto da temporada. E que o Vasco não decepcione no Brasileirão para nenhum dos dois lados chorarem no final do ano. Viva o futebol!