Os bons públicos do Vasco e a relação com o calendário do futebol brasileiro

A torcida do Vasco percebeu a importância de abraçar o time desde o começo do Campeonato Brasileiro para evitar mais uma queda à segunda divisão. Em seis jogos em São Januário, 97.684 mil pessoas compareceram ao estádio, em duelos diante do Bahia, Fluminense, Corinthians, Sport, Avaí e Atlético-GO. No entanto, este não é o único motivo. Eliminado precocemente da Copa do Brasil, contra o Vitória, e do Carioca, por não chegar à final, o Gigante da Colina ficou três semanas treinando. Se preparando para a única competição que restava no ano: o Brasileirão. O fato, obviamente, fez com que a torcida ficasse com saudade de acompanhar o time. A prova disso foi o bom número de cruzmaltinos no Allianz Parque, na primeira rodada do torneio, no dia 14 de maio, contra o Palmeiras. No confronto seguinte, estádio abarrotado contra o Bahia. E assim prosseguiu após os triunfos na Colina Histórica.

É possível apontar que se as vitórias não acontecessem a quantidade de aficionados em São Januário diminuiria. Mas não dá para negar que o longo período sem partidas ajudou na impulsão do público nos primeiros confrontos no Rio de Janeiro.

Torcida abraçou o time nesse início de Brasileirão (Paulo Fernandes / Vasco.com.br)

Isso comprova que seria exequível aumentar a taxa de ocupação dos estádios brasileiros não fosse a quantidade pornográfica de jogos durante o ano. É curtíssimo o tempo hábil para sentir a ausência do time dentro de casa. Se o clube tiver êxito na temporada e for longe em várias competições, pode bater a marca de 40 jogos em seus domínios. É mais do que um Brasileirão inteiro. Considerando que o ano tem 52 semanas, e que em dezembro e janeiro os campeonatos ficam paralisados, dá quase um jogo por semana. Não há torcedor, nem bolso que aguente.

E o grande “vilão” é o Estadual. É contra a lógica ficar de fevereiro ao começo de maio jogando uma competição de baixo nível técnico. Sem o brilho de outrora. Todo ano a imprensa bate nesta tecla, promove sugestões, mas nada é feito. Afinal, o poder — ainda maior — está com as Federações, as mais beneficiadas com esta disputa. Enquanto este problema não for resolvido, continuaremos a colaborar com a média de público aquém do espetáculo.