um consentimento eterno
posso balançar a cabeça aceitando.
sabendo exatamente as circunstâncias em que estive me colocando.
não é a primeira vez que me encontro nessa mesma situação, e pelo amargo gosto na ponta da língua imagino que não seja o último, mas talvez o mais severo.
invejando todos os outros momentos em que saí vitorioso, recitando para mim mesmo as palavras que se tornariam um mantra daquele dia em diante.
tentando compensar a falta de alimentação com uma camada de defesas para evitar falar sobre o assunto, e o consumo de um suicídio lento embalado em uma carteira.
ambos sabemos as imagens viscerais que tem invadido sua mente durante anos, e como você sempre tentou guardar objetos sem valor de pessoas que um dia pensou que poderiam te ajudar a salvar de si mesmo. talvez o que te machuque mais é saber que por um momento tudo aquilo bastou, mas hoje quando encara os buracos não consegue ver um fim. e sente que pouco a pouco será sugado num turbilhão de intenções apáticas.
como dá vez em que ficou submerso por tempo o bastante para sentir a o pulmão queimar, ou dá vez que vigiou um ônibus perto de mais a ponto de ter o pé atropelado.
nós sabemos que não é a primeira vez, e a única pergunta que paira sua mente agora é.
será que vai ser a última?

