Inquiridora

Por favor, não brinque! Não zombe de mim, por mais sem graça que eu seja.

Peço que tenha cuidado, a mesa está posta em louças chinesas.

Por que logo agora? Por quê?

Décadas passadas, ofereci de bom grado minha maior riqueza e ela não foi suficiente para encher teus cofres. Agora, me olhas como se eu própria fosse Monalisa.

Perdoe-me, as estradas inundaram e a terra lamacenta endureceu, cobrindo meu corpo, meus olhos e meu coração.

Palavras bonitas me enfeitam a cabeça com coroas de flores e as formas, mais finos vestidos, sou musa, mas até que estação?

O que te traz aqui sou eu ou o gosto único do vinho que tenho?

O coração tolo, tão insensato quanto o de Tom Jobim, deleita-se a cada novo verso cadência escarrado por tua boca profana.

Mente, outrora, sã, vagueia só, cega e torta, por dentre os bosques escurecidos pelo desejo de ser a ti. Pesa.

Temo que tu esteja a venerar produto de teu singular devaneio, febre escarlate, afronta meu amor com simulado peito aberto.

O que te falta? A que veio? Por que a mim?

Questões estouram em meu sistema, queimando a medida que o sangue corre. Quem é o mais tolo? Tu, eu ou meu coração?