Gostaria de não ser tão saudosista.

Viver de saudades não alimenta, engana o estômago, entristece a cena. Saúdo o passado, o teu e o meu. Saúdo o breve presente, teus lábios queimando os meus. Saúdo o futuro, o qual nunca teremos mas tão lindo foi. Sempre cultivo saudades, não só do que foi bom. Todas as sensações se repetem, elas independem dos personagens. Queria te dedicar um amor, talvez até consiga, tão fugaz quanto teu cheiro que já nem lembro. Ei, qual o gosto do meu beijo na tua língua?

Odeio parecer simplória, ordinária vez ou outra. Minha paixão se arrebatou por tua pele ou pelo talvez? Quem liga? Não estou te entregando palavras românticas, nem mesmo palavras, que diabos estou fazendo? Queria eu mesmo saber. Mais confusa que eu? Só as estratégias estatais do nosso novo Chanceler. Lembre-se!

Quem sou eu para pedir que fique? Quem sou eu pra dizer-te olá? Ninguém demais, assim como você. Gostaria de não ter saudades. As amo tanto mesmo não sabendo amar, mesmo não sabendo combinar que dirá compor, sou apenas uma qualquer falando do que não me ensinaram a falar, apenas categorizar.

Perdoe minha intromissão, minha irritante insistência, mas talvez é tão sonoro, cativa minha alma brincante, flertar com as ideias me encanta mais que teu conhecimento que exala. Quem sabe um dia você chegue tão logo quanto foi. Ou nem mesmo cogite olhar por cima dos ombros. O mundo é mistério, efêmero tal qual teus versos. Se prestares atenção, falei tudo o que jamais te disse, sem nem ao menos nada dizer, assim que funciono, tudo parece superfície, um peso que não se sustenta, emaranhado de cordas sem começo e fim. Quem disse que precisa?

Veja só você. Veja só eu.

Gostaria de não ser saudosista.

Nunca fui.

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