Nós

Enquanto teu peso afunda a cama bem do meu ladinho, minha cabeça flutua sobre nós. Teu gosto ainda pinica na ponta de minha língua e eu sei que a felicidade tinha vindo nos visitar. Sentir tua presença inteira comigo me faz vir novamente e a pressão que tua mão faz contra minha pele te marca aqui.

Gostaria de ter forças pra mais do que sorrir e me enroscar em ti, mas preciso de um tempo para me recuperar. Gosto de ver como teu peito sobe e desce, como a luz saliente insistentemente se força por entre uma fresta da janela até te encontrar, fazendo o suor que te cobre reluzir bem diante a mim. Que visão! Eu poderia pintar-te em tela ali, mas prefiro manter essa imagem só pra mim. Perdoe meu egoísmo, ele passa. Ou quem sabe não…

Já imaginou se não tivéssemos dado certo? Eu nunca poderia me deliciar da tua risada pós gozo enquanto parece recobrar o juízo. Tu nunca iria saber como teu nome é sussurrado pelos cantos. Nós não discutiriamos sobre como tu não domina todas as verdades do mundo e tua chatice não me aborreceria ou aqueceria meu peito como faz tão bem. Quem sabe sejamos pra dar errado no próximo virar de esquina, mas tua mão encaixa tão bem no meu joelho que eu prefiro teimar mais um pouco.

E teimei, porém sozinha e não é tão mal quanto parece, às vezes as coisas são assim. Nós demos certo, isso não quer dizer que deveríamos viver eternamente juntos, apenas fomos e jamais nos tornamos fruto. Beije minha testa uma última vez, me permita colar meus lábios sobre tuas pálpebras fechadas para que quando abrir os olhos, toda a beleza do mundo que enxergo em ti brilhe, te guiando em teus caminhos. Obrigado por ter sido nós, nos vemos no próximo desencontro marcado!

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