Quem não lê, não sabe

Longe de mim defender o governo. Nunca o fiz e não vai ser agora. Nunca votei no PMDB, sequer votaria em Michel Temer. Reconheço porém a sua legitimidade constitucional enquanto presidente da República. Se alguém me mostrar em qualquer folha da nossa Constituição que sua ascensão ao cargo foi golpe, ilegalidade ou inconstitucionalidade, eu juro que a engulo sem mastigar, temperada com sal, vinagre e pimenta malagueta.

Como não há mal que não acabe, nem bem que sempre dure, a hipocondria da esquerda vai e vem. Sempre muito bem, obrigado! Passada a Síndrome do Golpe advém o Surto da PEC e com ele os sintomas usuais. Pouca capacidade cognitiva e muita atividade oratória. Velhas e surradas palavras de ordem do manual da neoburguesia do proletariado tupiniquim: desmonte do Estado, supressão de direitos, corte de verbas, sacrifício popular, empobrecimento de trabalhador, congelamento de salário. O mantra da classe operária. O bolero de ravel da lumpen-burguesia. São uns chatos!

Eu sei que para gente que aprendeu ler/escrever pelo método Whatsapp de alfabetização é meio complicado ler um texto de mais 144 caracteres. Gente que usa o Google para pensar e o Facebook para formar opinião. Mas eu, que fui alfabetizado em casa com letras e números pintados numa parede e um caderno de caligrafia, propus-me ao trabalho mental que neurônios alimentados com elma chips e nutella não suportariam.

Resolvi fazer o simples, o óbvio, o ululante. Ler o texto da tal Proposta de Emenda à Constituição Nº 241 para entender qual seria a espada que cortaria o pescoço do trabalhador.

Surpresa. Não há armas a serem desembainhadas e nem pescoços a serem degolados. A não ser possíveis cortes nos glúteos gordurosos de algumas corporações estatais. As mesmas senhoras obesas que andam por aí vociferando pela imprensa. Grosso modo, na prática, creio que nada muda no setor privado, seja empregado, empregador ou empreendedor. Os burgueses e barnabés do setor público também não serão vilipendiados em seus direitos pecuniários fundamentais e seus salários não serão tão mais atingidos do que já estão.

As ratazanas petistas, os comensalistas nanicos e a patuleia amestrada foram os usuários e beneficiários do poder durante 992 dias, ou 713 semanas, ou 164 meses, ou 14 anos. Fizeram o que quiseram e o que não deveriam fazer. Não quiseram fazer o que deveriam e poderiam ter feito. Agora, com as vísceras à mostra, salivam, babam dos beiços até as patas sem perder a pose de Robin Hood às avessas. São uns ressentidos, uns invejosos. São de dar nojo. Argh!

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