na real eu nasci virada pra lua.

essa sou eu. ainda parecendo feliz, ainda sendo. e sendo virada pra lua.

ontem escrevi umas coisas. coisas que vieram do fundo da alma — que tava transbordando. coisas que acredito com todas as minhas forças e mais do que só acreditar, ponho em prática o tempo todo.

coisas que, depois de um toque recebido por um amigo, percebi bastante injustas.

a real é que eu nasci virada pra lua, sim.

para tudo e senta aqui mais uma vez pra gente conversar:

eu tenho a sorte (e nada mais do que isso) de poder trancar a faculdade e viajar em outro continente, com o dinheiro que juntei trabalhando em uma empresa que nunca me pediu um diploma (de novo, pela sorte de pessoas terem confiado na minha energia). eu, por sorte, nasci branca, numa família que me estimula, que me deu cidadania européia e uma educação privada incrível.

eu tenho a sorte de conhecer pessoas com a sorte parecida com a minha, e que podem me abrigar de graça aqui do outro lado do mundo (e por isso que a viagem tá sendo tão “barata”).

isso tudo não aconteceu comigo só porque eu sou good vibes. claro que não. eu tenho é sorte de poder ser. de pode estudar sobre energia, sobre como o cérebro funciona. sorte de escolher como viver a vida do jeito que eu quero, e sorte de saber como minimizar meu impacto ambiental nesse planeta. sorte de saber escrever sobre isso tudo e, por sorte, inspirar uma galera.

eu sou sortuda, pra caramba.
e seria uma injustiça gigante não reconhecer isso. seria fácil.

fácil porque o ego (que todos nós temos e somos feito de) adora receber elogio. é um vício aparentemente inofensivo.

só que não: bonitinho mas ordinário, o carinho pro ego que as mais de 400 pessoas que leram o texto nas últimas 24h me fizeram, só ajuda a perpetuar padrões sociais que eu juro que faço tudo que posso pra quebrar.

isso tudo é, de acordo com o que eu, roberta, acredito, verdade. o que não anula tudo o que escrevi ontem. só direciona.

explico: tem gente que nasceu com as mesas sortes que eu, (muitas vezes, com muito mais) e não faz nada com isso. se você tem a sorte de se encaixar nesse grupo privilegiado, use essa sorte pra sair do lugar comum, criar ferramentas e dar chance pra maioria das pessoas desse planeta, que não nasceram com nem metade do que a gente tem, de poder viver como bem entenderem. assim, de buenas e sem medo. pega o último texto pra brincar de enxergar a outra perspectiva, o lado mais leve da força. eu acredito de verdade que se mais pessoas escolherem o caminho consciente e bem humorado o mundo vai mudar. bora testar?

se você não se encaixa nesse grupo: minhas mais sinceras desculpas. não fiz por mal, mas fiz. e tô aqui, talvez fazendo de novo. se sigo falando bobagem, me conta? vou fazer quantas erratas precisar até que pare de machucar outras pessoas.

inspirar é incrível, é poderoso, é mágico. mas é uma baita responsa, e precisa ser feito com MUITO cuidado. o lance é inspirar e cutucar as feridas. todas elas.

livres, leves e humildes: sigamos!

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