O amor solúvel

Helena precisava de um abraço, daqueles apertados que envolvem mais do que o corpo como se os braços fossem de borracha. Em sua volta, sairia o amor se lá fosse possível construir algo tão inconstante e imaterial. Era no renascimento que floresceria este amor. O amor de Paulo Mendes Campos que terminava e dava espaço para o recomeço. O amor romântico de Shakespeare que matava para ser possível. Ou aquele nosso, de meros mortais, que ia e vinha sem a certeza de existir. A emoção efêmera que fazia Helena suplicar por um acolhimento, um carinho impossível que ela mesma se negara. Um amor ainda tão distante como o dela por ela mesma. Um amor perdido em meio a um hiato que só o retorno para o coração possibilitaria reunir. Quando este hiato se inundasse e se despejasse em um delta, uma luz brilharia em Helena.

A single golf clap? Or a long standing ovation?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.