Eterna

sabe aquelas pessoas que a gente acha que são eternas? tanto quanto nossa mãe, pai? pois é, pra mim ela era dessas, seria eterna nesse mundo. na verdade sempre será. o que artista deixa nunca morre.
ela foi drag muito antes da gente conhecer ru paul, acho que aprendeu nas ruas.
ela entrou na minha vida numa espécie de chanchada televisiva com o programa Sílvio Santos. era impossível não ficar hipnotizada. queria saber seu look da semana tão avidamente quanto queria saber os da Violet ou da Kim Chi. e eu queria todas aquelas roupas e maquiagens quando eu crescesse.
e ela era doce e divertida e dizia tudo que pensava e era loucamente sincera. era dona e absoluta de tudo. rainha e poderosa antes de todo o funk e tal.
só mais tarde descobri o alcance simbólico e até histórico daquela mulher transgressora que enfrentou a ditadura que enfrentou a sociedade machista. 
às vezes discordei dela, mas sempre foram admiráveis sua generosidade, sua gratidão e sua alegria. a esperança na vida, no ser humano, que acho que é o mais difícil da gente ter dia após dia e ela jamais esmoreceu, sabia cair e levantar dando a volta por cima como poucas. era única.
mané Gilda…
nunca houve, nem haverá, uma mulher como Elke

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