Por menos sorrisos amarelos.

Sempre que eu digo ser introvertida tem alguém pra me lembrar que eu sou uma pessoa de sorriso fácil, simpática com todo mundo etc e tal. O que pouca gente imagina é que 75% das vezes em que eu estou sorrindo eu não estou confortável. O sorriso funciona como um mecanismo de defesa, uma reação involuntária pra quebrar o gelo quando eu não gostaria de estar presente e/ou interagindo. São sorrisos amarelos.

Mesmo depois de começar a desconstruir muitos paradigmas na minha vida, eu respondi situações desagradáveis com sorrisos amarelos. Aquela ideia ruim no brainstorm do trabalho, aquele comentário homofóbico no almoço de família ou aquela brincadeira machista entre os amigos.

Por medo de me expor, de ser a desagradável, de magoar alguém, eu reagi a situações como estas da mesma maneira: um sorriso constrangido amarelo.

Mas, sabe, sorrir cansa, principalmente uma pessoa introvertida. Gasta-se muita energia com isso. E, além disso, o tempo, o feminismo e a terapia me ensinaram duas coisas muito importantes sobre a vida: eu não sou obrigada e eu não posso continuar me sentindo culpada por atitudes erradas de outras pessoas.

A gente fica sem jeito de cobrar quem nos deve, fica com medo de chamar atenção de quem nos ofendeu e a pessoa reagir mal, não quer denunciar um abuso sexual por medo de ser julgada pela roupa que usa ou deixa de cobrar uma pensão do pai que abandonou seu filho por medo de ganhar fama de louca com a nova companheira dele.

Eu quero economizar sorrisos para utilizá-los com causas que realmente os mereçam. Não posso continuar me sentindo constrangida em situações em que outras pessoas deveriam se constranger.

Eu quero mais sorrisos coloridos e menos amarelos.

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