FOI COMO GENTE QUE DEUS BORDOU O VÉU DO TEMPO

Os dias perdidos que comovem nossa memória
arrebatando o tempo que flui entre o sono e a vigília oculta,
são a expressão da tensão entre o nascimento e a morte,
espaço em que apreendemos o desvelo do Espírito
e o estar em sossego entre a hora justa
e algum sítio abençoado
carregado de significados invisíveis.

Condição imutável do mundo.

Percorremos rumo à porta que jamais abrimos
que aberta foi no tempo fora do tempo,
não sem sacrifícios, não sem sangue,
não sem carne, não sem a maldição da lei.
Entre clamores e súplicas,
o abandono experimentado no lenho
começou embrulhado em palhas numa estrebaria.

Sua constituição confunde-nos onde nossa memória naufraga.

Antecipado o fim em seu começo,
o seio da eternidade é todo o mundo de uma paixão,
e o aconchego de Deus, um cocho de animal como berço,
de onde a superfície da terra flamejou no coração da luz,
convertendo céu e terra num só fim,
convergindo céu e terra num só Ele,
transmutando para sempre Ele em todos.

O céu e a terra misturados, o mundo renasce certo.

Em Belém evaporaram-se os vestidos da Trindade
na paisagem consumada de Seu desejo de amor profundo.
E o vento, outra forma de Seu Ser,
levou Seu corpo por alamedas, becos e mares,
onde encontrou nossas dores, alegrias e sonhos,
e fez das nossas as Suas dores próprias de existir.
Das humanas alegrias criou resistência ao desespero,
dos nossos provisórios sonhos cunhou sua divina fé na Vida.

Foi como gente que Deus bordou o véu do tempo.

Alex Carrari

QUEM SOU EU

Alex Carrari. Pastor da igreja Betesda. Artista plástico. Marido da Ada. Pai da Ester e da Sofia. Aprendendo e ser gente com o coração em Deus e os pés no chão.

Fonte lectiosblog.wordpress.com

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