Eram umas 15 crianças. A casa era ampla e não parecia faltar nada para elas, além de um pai e uma mãe. O Felipe foi o primeiro a me pedir colo. Estava sentado no chão e levantou os bracinhos. 3 anos, não caminhava e tinha os olhinhos mais sofridos que eu já vi. Mas também deu o sorriso mais lindo que eu lembro de ter visto quando fiz aviãozinho com ele. A Mel era tão doce, tão linda que não fazia o menor sentido alguém ter abandonado ela. Tinha 5 anos e não falava. A Luana era pura simpatia, dona de umas tranças compridas e um cabelo todo enfeitado, foi a primeira a correr no portão e gritar: o grupo sol chegoooouuuu. Roberto tinha 1 aninho e já era cheio de personalidade, não queria colo, não queria abraço, ele queria andar, pra todo o lado, por todos os cantos e só parava quando a sede por água era maior que a sede de explorar. Abria a boquinha e tomava no copo igual criança grande. O Carlos se fantasiou de Robin e reclamou pra mim que o Batman andava sumido, mas viria na próxima festa. A fantasia de Robin era uma capa de papel crepom cinza, um cinto de fita prateada e uma mascara vermelha comum de carnaval. Nessa hora Luana passou com sua fantasia também de papel crepom e anunciou orgulhosa que era a rainha do Egito. Meu coração ficou feliz em ver infância naquelas crianças e torceu para que um dia a Luana pudesse mesmo conhecer o Egito. Conforme a tarde foi passando as crianças começaram a ficar ansiosas, queriam falar no microfone do bailinho de carnaval que fizemos. Quando finalmente conseguiram o microfone foram indo, uma a uma, e agradeciam “obrigado grupo sol, amamos muito vocês”. Até a Mel interrompeu seu longo silêncio e agradeceu. Nunca vi tanta gratidão e amor num lugar só.

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