112ª Edição

Foto Lucas Diniz

Ame e faça o seu amor florescer, não o esconda acuado de medo tampouco com indiferença. #th

TIAGO HENRIQUE

Ao bater das asas

Uma libélula baila no vento
Contrariando a ira do ar

Sentimentos percorrem o corpo

O observador repara a aerodinâmica

O susto
Partido
Em
Pe
da
 ço
 s

Pousa no ombro do cavaleiro
A dama devolve o olhar
Os pedestres passam
E um romance acaba de nascer.

GIULIANO SANTOS

Índigo

Nono andar. Prédio metropolitano, de paredes untadas por asfalto férreo e entoadas pelo hino das buzinas e escapamentos histéricos. Um louva-deus surge inesperado e afoito por sobre a papelada da mesa. Uma secretária raqueta o inseto para um canto do chão. Um idoso que aguardava atendimento erra a primeira pisada. Antes da segunda, a criança entra pela sala com um saco plástico. Encaminha carinhosa o bicho, aguarda a consulta da mãe, abre a sacola aos poucos pra arejar. Pede a mãe pra passar pelo parque, desce do carro e, antes de ser reprimida, solta o náufrago no matinho.

MARCOS SANTOS

O silêncio

O silencio é um dom,
Um verbo de força maior.
Milhões de palavras 
Tão certas e certeiras.
É um ataque,
Defesa de golpes fatais.
É o fim,
O começo.
O silencio é preciso
No ódio,
No amor,
Na vida. 
É um desabafo.
É solução. 
O silencio é o compensar de palavras.
É o equilíbrio.

W.MOTA

TARSO CORRÊA

Erosão da infância

Pulseirinha de miçanga,
Chinelo de dedo;
Em casa uma boneca estragada, jogada num canto,
Igual a vida desta criança,
Perdida entre a inocência e o medo;
Uma vida tragada pela falta de oportunidades,
Em um mundo indiferente e de maldades;
Da penúria do dia,
Para a penumbra da noite;
Batom nos lábios infantis,
Saboreada por olhos vis;
Enclausurada na estrada, esquina de um posto de gasolina;
Trancinha no cabelo,
Púbis sem pelo,
Transpirando cheiro barato de lanolina;
Por dez reais, não mais,
Para matar a fome,
Comprar o arroz com feijão,
Mais um dia, uma noite de incertezas, desilusão,
Na boleia de um caminhão,
Vendendo o corpo miúdo, ainda em formação;
Olhinhos assustados, com lágrimas que secam antes de cair,
Sugando sonhos não sonhados,
Lavados pelo gosto amargo do dinheiro,
Da pureza que esvai rasgada pela violência e a doença,
De uma vida diluída, da infância a sucumbir.

LUCIANA CHAVES

Ficamos cansados , nossos olhos precisam acreditar nos sonhos.
As pernas insistem nas dificuldades;
a aceitação é singular.
Os lábios estão trêmulos ; o equilíbrio seduz…
Marcas pelo caminho, sentimentos.
Com as mãos segura lembranças.
A solidão faz parte do dia a dia ficam regrando flores de girassol nas jardineiras pela janela, pregando o terço firmes nas emoções.
Peço-lhe, pega — me nos teus braços, quando a memória me faltar; cante pra mim melodias doces, que me acalma e me faça dormir.
O percurso foi longo, preciso do teu olhar;
Preciso de você por inteiro.
Sente ao meu lado e conte pra mim como foi o seu dia. Quando eu olhar pra você será com ternura ,mesmo não entendendo nada, o carinho lhe será peculiar.
O importante é que você vai estar presente.
Você será gentil, afetuosa. 
Muito bom acordar ao seu lado.
Somos Cisne no lago.
Somos flores na primavera.

CLIPES DA CIDADE

RELEMBRE

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Edição publicada por
Tiago Henrique
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