116ª Edição

Revista Betim Cultural
Foto Ana Gabriella

EDIÇÃO 116

“E a arte é assim, uma mistura de cores, sons e amores. Retratada como denominador comum de todas as histórias, inspirados na arte de um novo amanhecer” Pamela Sobrinho

TIAGO HENRIQUE

A METAFÍSICA DAS ALMAS

Fico esperando o telefone tocar
Vou viver a poesia
Como os mais belos sonhos que pintei

Atravessarei as dimensões do tempo
E quando você estiver comigo
Teremos encontrado
O que n’outra vida planejamos.

PAMELA SOBRINHO

POEMAS NOTURNOS

Você destruiu tudo o que um dia poderia ser amor
Você machucou um coração, despedaçou-o por dento
Nele nunca mais habitara o amor
apenas as luzes negras das inseguranças

Neon, brilho vermelho e morte
Madrugada fria, pele gelada
A morte coabita com meu coração despedaçado de esperanças

Por vezes tentei amar,
Por vezes tentei ser um ser humano melhor
Mas você matou tudo que há de bom em mim
Naquele dia. Naquela trágica noite
Assim morreu meus sentimentos, junto com o sangue que escorria da minha boca
Junto com as feridas do meu corpo
Junto com os roxos do meu rosto, alma e coração.

Nunca mais serei a mesma
Nunca mais meu coração poderá amar
Nunca mais poderei dormir uma noite tranquila
sem me lembrar de como você destruiu meus sonhos
Rasgou minha alma e acabou com meu espirito

Segue a vida doce e amarga
como mais uma dose de vodca
para suportar a dor de me levantar todos os dias
e coabitarmos a mesma existência

Morram, os vozes que me atormentam
Vão para o tumulo mais uma vez
Assim poderei repousar em paz

TARSO CORRÊA

O Silêncio de um grito

O pequeno menino, rotulado, marginalizado,
Com os pés descalços, espalmados na realidade cruel do asfalto,
Enfrentando rostos de cera com a dureza do cobalto,
Corre pelas veias pulsantes da cidade,
Desafiando a tirania social e a ácida verdade.
No sinal vermelho, em cada esquina, no desespero dos minutos,
Dentro de bolhas de vidro e metal,
Homens enclausurados, algemados aos seus relógios,
Levam a sua rotina letal.
A incômoda e agressiva presença do pequeno gigante,
A mostrar a nossa degradação, exposta no dorso nu do pivete,
Corta a nossa dignidade a golpes de canivete,
O pequeno, com o vazio do estômago, torna-se um guerreiro beligerante,
A nos empurrar gotas de sonho solidificadas em bala,
Que nos abala, entala e cala,
E, numa fração de segundos, naquele rosto magrelo, estampa-se um sorriso cheio de dentes,
Que nos leva de volta a nossa vida contundente.

LIVINGSTON MARLINSON

Mana
Algumas pessoas
Têm o dom de nos transportar

Assim tu fizeste, Mana.

Com entusiasmo
E dedicação,
Sem sair da minha estação
Conheci as belezas
Do Pará …
As praias de água doce
O agito das Docas
O Mercado Ver-o-Peso
As índias… (rsrs)

Em cada horário de almoço
Uma aula de culinária
Tucupi…
Tacaca…
O verdadeiro açaí.
Aprendi que pra fome ligeira
A maniçoba
Não é boa opção

Olhe Mana, com o seu dom
De transportar e encantar
Você nos contou das bonitezas
Aí de cima
E nós, aqui de pertinho
Nesse breve tempo
Pudemos enxergar
A sua beleza.

Não duvidamos das belezas
Da sua terra querida
Mas, foi a tua maneira
De nos contar
Que tornou ainda mais
Incríveis
As belezas do Pará!

GIULIANO SANTOS

IMPULSO

Final de tarde daquele sábado soturno. O barulhinho irritante do celular denunciava a mensagem. “Esta noite sonhei com vc. Aqui td bem. Bj.”Seria um texto comum se ela não fosse casada e se quase não tivesse destruído o casamento daquele autor casual. Foram só duas vezes e ele a rejeitou. Sua obsessão destruiu o que nem havia começado. Seis meses depois.

KELTON ALEXANDER

O Português não de Portugal

Muito de nossa cultura veio de Portugal
Porém nunca vi um português tocando berimbau
Não cozinharam o quiabo, e tampouco inventaram a feijoada
Dançam com elegância, mas não sabem mexer a bunda
Não matavam mosquito e nem marimbondo
Já vi caçarem ratos, mas não camundongo.

Eles podem dormir bem
E jamais saberão o valor que um cochilo tem.
Os primogênitos serão herdeiros de toda fortuna
E não importa a quantidade nunca terão um caçula
Os garotos de Portugal sabem fazer baderna louca
Só que não existem moleques que sabem fazer muvuca.

Não chute a macumba, é um frágil instrumento
Chute esse seu preconceito capenga que já tá feio faz é tempo
Deixe de lengalenga que isso é tá futum
Só de fungar desmaia, discriminação faz mal a qualquer um.
Então não seja babaca, respeito nunca é demais.
Amo o próximo, siga ele santos ou orixás.

W.MOTA

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