50ª Edição

REMAKE

Ilustração via Google

Março de 2013

EDITORIAL

Tiago Henrique

50 edições, 50 meses. Quando comecei a Revista Betim Cultural, eu, rejeitado pelos jornais da região resolvi imprimir e por em circulação alguns papéis datilografados digitalmente com meus pensamentos e poesias. Descobri que assim como eu, variados escritores(as) passam pelo mesmo… e por que não unir essas pessoas? Eu não queria falar de jornalismo, já há grandes veículos para cumprir essa função, apenas queria publicar, tornar acessível algumas ideias de cunho criativo e reflexivo e como sempre prezei nesse editorial — zelando pela propagação de textos atemporais (desprendidos do tempo) para que quaisquer veiculações tenham a possibilidade de serem apreciadas sem a necessidade de serem consumidas naquele mês de sua publicação. Assim, desde a primeira edição e sequencialmente suas posteriores trazem a aptidão de poder serem lidas em qualquer tempo, podendo despertar interesse, imaginação, reflexão e o que quer que convenha ao leitor a partir de cada título. Isso se aproxima da literatura com um caráter cotidiano.

Tenho muitos planos ou imaginações para ou sobre esse empreendimento, mas confesso: um coração só pode bombear vida, se houver vida querendo pulsar. Há frases populares como “uma andorinha só não faz verão” e os verões mais aquecidos da Revista Betim Cultural até então, existiram quando haviam escritores se bronzeando na praia (sem dinheiro, contudo, no incrível desfrute desse ambiente). Não sei o que aconteceu, a praia se esvaziou e os banhistas já não queriam mais mudar o mundo ou talvez esconderam suas ideias na gaveta ou simplesmente pararam de pensar a respeito. Se não existe ação, de nada adianta uma plausível filosofia. Alguns fiéis quiosques permaneceram ali: na minha praia deserta… não achei justo, agradeci e preferi prumar quase sozinho para a montanha vez ou outra sendo visitado por pessoas que sonham e acreditam nos sonhos que escrevem sem discriminar a plataforma de dizê-los, sem buscar status, sem se preocupar com onde e com a quantidade. Essa breve história ilustrada com metáforas, conta sob minha ótica um pouco da mutação da RBC, desde a participação de autores, leitores e entusiastas, como também dos comerciantes, pessoas e empresas que investiram nesse empreendimento, ainda resistente.

Tenho comigo a virtude da persistência, aprendida em algumas leituras, talvez por natureza e esclarecida em um episódio da minha vida pelo meu tio Zé Martins em uma época em que eu procurava por oportunidade de estágio na área da Educação, com atitudes e palavras ele me ensinou a não desistir de algo que queremos e a batalhar para conseguir o pretendido. Não desistir e lutar até alcançar êxito é sinônimo de persistência. Se posso continuar não vou parar um negócio que acredito; como mudar um caminho seguindo trilhas já pisadas? Adapto essa passagem, nesse caso, a uma realidade sincera de continuar da maneira que posso, do modo como há ou como tenho energia para prosseguir com tal objetivo.

Descobri que não temos que querer que todos tenham a mesma vontade, o mesmo gosto, os mesmos anseios, é importante valorizar a liberdade e igualmente importante valorizar o comprometimento. É enlouquecedor querer que todos compartilhem da mesma mensagem e é inspirador encontrar indivíduos que comungam do mesmo. Penso que esse é um grande milagre das relações e tendo consciência disso é fundamental respeitar toda existência, suas crenças e afinidades, como diria Chico Xavier: não julgar, definitivamente não julgar, a quem quer que seja.

Há várias leituras que faço da RBC e com tranquilidade em uma delas percorro seu nascimento e seus contemporâneos acontecimentos, não sei onde vai chegar, se já teve o seu auge ou se esse pensado auge é ainda um pequeno engatinhar do que ela virá a ser, se está falecendo ou fará um caminho de fênix ressurgindo das cinzas, eu simplesmente não sei, como não sabia o que iria acontecer até a presente edição 50. Para muitas coisas planejamos minuciosamente e temos respostas concretas, mas para o abstrato isso não é possível. Deve ser como pais e filhos — por mais que se imagine o futuro ou as escolhas de cada um, não se pode ter certeza de tudo, seres humanos são imprevisíveis, obras de arte são imprevisíveis e espero que a Revista Betim Cultural seja uma obra de arte: em aberto, em construção, acessível, independente e por que não: imprevisível.

Que essas editorias tenham de meu DNA muitos quereres, pois quero ser significativo, quero provocar mudança, quero inventar caminhos e quero que tudo isso exista porque há espaço para tais manifestações. Não é só o mundo que mudou, são as pessoas, e podemos ser dois tipos de pessoa: a que faz ou a que assiste, há papel pra todo mundo e todos podem se encontrar onde houver um significado importante para um encontro consigo mesmo.

Contente por toda essa história, agradeço a todos que colocaram um tijolo nessa casa, a todos que desprendidamente apoiaram a iniciativa, a cada visionário e voluntário dessa edificação, aos participantes, aos observadores e ao público. Agradeço por cada linha pensada e redigida, por cada palavra lida, pelo conjunto de entrelinhas, imagens e vídeos e por todo o universo tocado em cada singular contato que a Revista Betim Cultural pôde proporcionar.

Meus sinceros cumprimentos a você que está lendo esse capítulo da RBC, que de algum modo os ventos possam levar essa sinergia a cada coração: presente, passado e futuro.

Obrigado por estar aqui!

Atenciosamente, Tiago Henrique
Editor e Fundador da Revista Betim Cultural

Escrevi os Editoriais da RBC do 1ª ao 16ª exemplar. Cito alguns como peças biográficas para a revista , edições: 01, 02, 06, 08, 09, 10, 16, 37, 44, 45 e este 50.

Tudo pode ser lido em www.betimcultural.com.br e acessado no “Memorial” destacado no rodapé do site.

DADOS DA REVISTA ATÉ A EDIÇÃO Nº50

Conheça um novo empreendimento da Revista Betim Cultural, em parceria com Os epígrafes e o Centro Recreativo Moreno. Acesse, escute e aprecie: www.ensaioautoral.com

Apoie com qualquer valor www.bit.ly/rbc-contribua

PONTO DE VISTA

Lucas Diniz / Revolução

ESPAÇO ABERTO

Marcos Santos / Cidade dos sonhos

Na Cidade dos Sonhos
Em seu carro possante
Passeia ‘de rolé’. O menino
É um homem,
É o agente especial,
O mais veloz corredor,
Campeão mundial.

Segue o menino homem
Na Cidade dos Sonhos
Sonhando…
Segue o menino…
Segue sonhando…
Pode até voar.

Em meio a um mundo sem sonhos
O pretinho de pés calejados e ossos expostos
Empurra o possante de plástico de rodinha quebrada.
O menino que matou a fome com feijão e farinha
Dado pela sua mãe que chorou ao velo engolir.

Irá crescer.

A cidade dos sonhos não mais existirá.

A cidade dos sonhos não existe mais.

E agora…
Um homem.
Sai de casa e nem sabe por que.
Sonha sem acreditar.

BUQUÊ SUBULATA

Tiago Henrique / O preço da vida

O relógio despertou
Meus olhos não.
O tempo anda,
Meus pais acham que minha vida melhora
E até eu penso que as coisas vão melhorando…

É hora do almoço,
Vou esquentar a marmita;
Queria ver televisão na sala de minha casa,
Queria o almoço da minha mãe,
Queria vê-la preparando o almoço junto com meu pai

Queria brincar na rua,
Jogar bola no asfalto,
Correr no quarteirão,
Queria… Queria minha infância de volta.

O Sol se põe,
Arrumo a mochila,
Guardo a marmita,
Organizo os cadernos

As sete tem faculdade,
As onze eu chego,
As zero eu durmo cochilando no sofá,
O relógio desperta,
Meus olhos não.

CRIAÇÕES

Leonardo Vieira / Manicômio VI

PUBLICAÇÃO ORIGINAL AQUI.

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