Clipping

Veganismo com Tiago Henrique.

Clique em cada tópico e saiba mais:

CARREIRA ARTÍSTICA

Música
Literatura
Composições

Música: Visto uma camisa com estampa vegan na capa do primeiro álbum da Nostreis, sendo eu integrante da banda como vocalista e compositor.
Literatura: Redigi um capítulo exclusivo sobre a cultura vegana no livro Cartas para a humanidade. 
Composições: Escrevi músicas pró abolicionismo animal para reflexão social com respeito, paz e amor a todos os seres sencientes, além do link acima você pode ver também no Youtube.

PESSOAL

Tv Betim
Manual do veganismo

CARREIRA EMPRESARIAL (2014–2016)

☼ Revista Vegetarianos:
1ª publicação / 2ª Publicação
☼ Veganismo na Tv / Casa Veg:
Trecho com produtos na prateleira
☼ Tv Betim:
Entrevista na fábrica
☼ Revista Mais
Matéria completa
Bastidores da matéria

OS BASTIDORES DE UMA ENTREVISTA

Nome do entrevistado:
Tiago Henrique | site: www.thvirtual.com
Entrevistadora: Renata Nunes | Revista Mais Betim.

Profissão:
Escritor, Músico, Professor e Empresário do ramo de alimentos veganos. (Onde, como você comercializa? Me explique por aqui, por favor) Como fábrica distribuo para comerciantes do ramo ou não em Betim e Região e para lojas veganas em todo o Brasil. Também faço vendas online para o consumidor final no site da empresa Nogui Alimentos.

Idade:
28 anos

Quando iniciou o veganismo?
Em 08 de março de 2012 um texto reflexivo de Claudemir Ferreira me abriu os olhos para a cultura carnívora em que vivemos. (Tem como me enviar um trecho do texto que mais te marcou e o fez tornar-se vegano?) “Os animais em matadouros sentem o cheiro, ouvem e, muitas vezes, veem o abate dos outros animais que estão à sua frente. À medida que eles se debatem, os funcionários humanos, que frequentemente são pressionados para manter a linha de produção se movendo rapidamente, reagem com impaciência contra os animais. Mas não são só os animais que sofrem, muitos dos funcionários que trabalham nessa infame tarefa, adquirem com o tempo, vários tipos de transtornos psíquicos, pois convivem em um ambiente de sofrimento, de gritos e berros de dor, de agonia e desespero. Os animais sentem a morte se aproximando, sentem o cheiro de sangue, ouvem os gritos de seus semelhantes, e nada podem fazer. Nada. Não adianta gritar, não adianta tremer e berrar, nem lançar olhares tristes para seus algozes, serão mortos, e ponto final”.

Decidi parar de comer carne e pela primeira vez senti repulsa ao ver o próximo deglutindo animais abatidos em cima de uma pizza. (Como assim? Comeram carne e depois comeram pizza?) Me refiro a carne na própria pizza como: Lombinho, Linguiça Calabresa, Presunto… essas coisas que fizeram se tornar comestíveis mas que em sua origem nada mais são que o corpo de um animal.

Depois disso comecei a ler, ver vídeos e me informar. Na tentativa de amadurecer para o propósito vegetariano descobri o veganismo e em 23 de junho de 2012 (véspera de dia de São João) me tornei vegano diante uma típica festa junina, não mais senti qualquer desejo por alimentos vindos da exploração de um animal, pelo contrário, passei a enxergar toda crueldade desse meio popularmente praticado sem maiores questionamentos, que podem aprofundar as escolhas de cada um em prol da vida que pertence a outra espécie e que nós não temos direito a escravizar, explorar e por fim matar a nosso bel prazer por hábitos pouco refletidos.

Foi simples?
Irresistivelmente sim. (Antes você não comia muita carne, não gostava? Por isso foi tão simples??) Eu tinha hábitos comuns, apesar de não exagerar na carne, com algumas exceções, eu comia como qualquer pessoa e gostava de churrasco, assim como gostava de queijo, derivados do leite, omelete e as várias receitas com ovos, como bolo, pães… mas só de escrever essas linhas meu estômago embrulha ao lembrar do passado inconsciente; eu queria que essa consciência vegan tivesse se despertado antes em mim, por sorte, quando veio foi inevitável, graças a Deus se expandiu com velocidade e como eu disse, de maneira irresistível. Gosto desse termo que encontrei no espiritismo, outra filosofia que pautou mudanças significativas em meu ser, me ajudando a desenvolver um amor mais amplo, acrisolando meu caráter e o respeito ao próximo de uma maneira mais prática e não teórica, me impulsionando a praticar o bem em todas as esferas de meus atos, conforme posso ver em sintonia com a paz.

Porque aderiu ao veganismo?
Por amor aos animais, por consciência sobre a importância da vida indiferente de sua espécie.

Estudou sobre o assunto antes?
Sim, diariamente e constantemente desde então.

E quais conclusões tirou?
Concluo que somos seres em evolução e não cabe a uma espécie dotada de inteligência ser tão bárbara e rudimentar para com as outras formas de vida, é preciso respeitar o estado de cada ser porque enquanto a força e a imoralidade estiverem impregnadas em nossos atos pouco avançaremos em direção a paz.

O que o veganismo representa na sua vida?
Para mim representa sanidade, é um meio importante que me abriu os olhos para uma direção mais fraterna em respeito a vida, desde a sua mais simples forma até a mais complexa, fez, me entender como parte do todo para caminhar em harmonia com tudo o que nos permeia, dentro das nossas capacidades e alcance.

Como é a sua alimentação?
Simples, no começo todos os lendários mitos a respeito de Proteínas, Ferro, Cálcio me fizeram buscar respostas e alternativas para que eu pudesse viver com tranquilidade e certeza de que estaria me cuidando bem. Com um bocado de estudo (onde estudou sobre o assunto? Onde encontrou informações? Na internet?) Sim e reuni todo o conteúdo no meu próprio site (hoje Manual do Veganismo) onde fiz questão de organizar toda a bibliografia vídeo e textual das principais fontes e curiosidade que me motivaram e ensinaram a respeito do veganismo, para citar duas das maiores influências recomendo o Vista-se (www.vista-se.com.br) e a Revista Vegetarianos, além de um livro de culinária chamado Cozinhando sem crueldade de Ana Maria Curcelli.

Eu notei que de fato eu não só estava me cuidando bem com um hábito vegano, como positivamente passei a me cuidar melhor e a ter hábitos mais saudáveis. (quais hábitos? Somente alimentação?) Além da alimentação, quis cuidar melhor da minha alma e do corpo, é curioso como tudo está conectado. Passei a fazer atividades físicas com bicicleta regularmente, além de caminhar mais, noto que corporalmente tenho mais disposição que antes. Também passei a ler sobre a doutrina espírita que de alguma maneira emergiu em um período simultâneo ao veganismo, onde encontrei uma fonte de exercícios para a alma, corpo e mente.

Nesse sentido: corpo, mente e alma se unificam com mais sintonia e a força espiritual emerge com mais propriedade. (Explique isso melhor, por favor…) é uma ideia que une todas as forças vitais que nos mantém de pé e com um propósito existencial, é enxergar o ser humano como parte do todo e não como centro das coisas, é se entender como responsável pelos mais frágeis e contribuinte das coisas maiores. Somos pequenos seres dotados de inteligência mas com a ausência de uma moral mais elevada a usamos para propósitos inversos a benevolência de Deus, por isso acredito que quando unificamos nossos pensamentos com as nossas atitudes, elevamos nosso estado espiritual para o progresso individual e coletivo, não só da humanidade mas para toda vida e forma que nos rodeia. O veganismo é um desses passos, não se pode conceber alguém que tenha tamanha sensibilidade para com o próximo, independente de sua espécie, agindo de maneira rude e contrária aos princípios da paz.

Descreva o seu cardápio.

Hoje, em maior parte:
CAFÉ DA MANHÃ 7hs
Pão integral caseiro com chá mate ou café.
LANCHE 9:30hs
Suco natural de laranja ou uma outra fruta como banana e maçã.
ALMOÇO 12:30hs
Arroz, Feijão, Verduras refogadas e/ou Saladas (Couve, Almeirão, Mostarda, Espinafre, Repolho, Abobrinha, Chuchu, Brócolis, Cenoura. Alface, Tomate; ou Batata frita sem óleo, Batata doce, Mandioca… enfim).
SOBREMESA
Sorvete vegano de: Condensado de soja, Chocolate, Alfarroba, Goiabada, Ameixa; ou Amendoins Caramelizados Tradicional e com Chocolate, Morango, Canela, Café; ou Paçoquinha, Castanha de Caju, Uva-Passas.
CAFÉ DA TARDE 16hs
Biscoitos Palito com linhaça e gergelim, Leite de ‘arroz, amendoim ou soja’ com Cacau em pó ou Frutas mais Esfirras e Pão de queijo vegetal variando com algum outro Salgado assado, Chá ou Café.
JANTAR 19hs
Normalmente repito o almoço, modificando alguma verdura ou salada.
OUTRAS OPÇÕES incluem Macarrão de sêmola ao alho e óleo ou com molho de tomate, Churrasco vegano com PVT de soja e vegetais. Lasanha com tofu, pizzas, hamburguers, todos em sua versão estritamente vegetariana. Eu como de tudo, existe alternativa gostosa e saudável para toda versão de alguma receita com ingrediente animal, basta pesquisar e se aventurar na cozinha.

Me explica algumas coisas: (1º) O leite de vaca, mesmo que a vaca não tenha passado por sacrifícios para produzi-lo… (2º) não há morte para extrair o leite, e mesmo assim por que vocês não consomem leite de vaca? Desculpa se eu estiver sendo ignorante, mas é porque eu não entendo nada mesmo sobre o assunto. O mesmo acontece com (3º) o ovo da galinha? Por que não consomem?

Tem uma frase que ilustra isso com maior simplicidade:

“Os animais do mundo existem para seus próprios propósitos. Não foram feitos para os seres humanos, do mesmo modo que os negros não foram feitos para os brancos, nem as mulheres para os homens” Alice Walker.

Mas vou te dar um parecer mais particular:

Primeiro, o simples ato de violação da espécie já não é algo indolor ou natural, para ser bom: imagina se uma criatura maior e mais forte te mantêm em casa, suponhamos que com carinho mas toda manhã te amarra na cama e a força manualmente ou com objetos se preferir, para tirar o seu leite; antes, para dar leite é preciso que você tenha estado grávida, logo em período de amamentação para alimentar o seu filho, que a propósito não foi uma escolha sua, se com sorte apenas uma indicação de um macho que transaria com você a força, entende? Não há maneira confortável sobre isso, mesmo tentando considerar uma criação caseira de um sítio ou pequena fazenda, é a violação dos direitos de outra vida. A propósito o veganismo engloba isso, é uma evolução dos Direitos Humanos. Quem somos nós para julgar ou subjulgar o direito sobre outra espécie? Em verdade é anormal, não há na natureza animais que bebam leite de outros (isso é uma aberração normalizada aos nossos costumes), não há na natureza espécies que tomam leite após o período lactante, apenas o homem faz isso, sem saber que é prejudicial a sua própria saúde. Cálcio? Bobagem! Isso se chama — poder da propaganda. Você já viu algum elefante ou girafa com deficiência em cálcio? Semelhante a eles nosso organismo absorve cálcio de verduras e outras fontes vegetais. Você pode ter mais informações aqui no meu texto Primeiros socorros, e ainda para a resposta um, não se iluda, não existe não sacrifício, se coloque no lugar da vaca e diga se você seria feliz assim? Mesmo que queiramos acreditar no poder midiático sobre as fazendas e granjas felizes, o final é sempre o mesmo, a morte bárbara, desnecessária e cruel de um animal, diga-se de passagem que aqueles, como as vacas leiteiras sofrem ainda mais por terem sua vida toda explorada para chegar ao mesmo fim descartável.

Segundo, o mesmo ocorre com galinhas botadeiras, trancafiadas em espaços que não as permitem sequer se movimentarem direito, perdem sua liberdade de ciscar e encontrar sua própria comida para engolir aos montes de rações e vacinas manipuladas para fins de uma produção mais graúda e incessante. ‘Se você pensa, mas e as galinhas de um galinheiro caseiro, de sítio ou fazenda? Elas não sofrem’… Esse é um ponto de vista autoritário, não podemos sentir ou pensar como uma galinha, e nem podemos escolher por elas o que julgamos ser certo ou errado, é uma vida e não nos pertence. Pergunto: por que você precisa disso? Você colheria sua menstruação em todo o seu período, colocaria na panela e faria um jantar com sangue e plasma? Ovo é isso, a menstruação de um animal. Por que deveríamos comer ovo? Precisamos parar para pensar na importância da vida, é importante desligar o automático e refletir nossas escolhas porque há tempos simplesmente vamos com a maioria sem questionar. Uma análise introspectiva a respeito pode ajudar a encontrar suas respostas particulares sobre tais questões.

Terceiro, por que não consomem? Contesto com uma outra pergunta: por que consomem? Encontro algumas respostas que dizem “porque é gostoso” eu entendo, nosso paladar foi acostumado a vida inteira a identificar esses sabores, mas convenhamos, por prazer nós temos direito a explorar outra vida? É preciso despertar, por isso uso a palavra: sensibilize-se! O amor precisa superar o seu paladar, e por experiência própria digo, você vai descobrir sabores incríveis e outros antes não apreciados que irão ser mais agradáveis que antes, com alegria isso vai mexer com você. E esses mesmos sabores que hoje você cultiva vai representar uma grande tristeza e nojo pelo quanto estamos sendo abusivos e desrespeitosos com os animais, você vai se enxergar dentro do problema e a saída correta é a sua escolha, através dessa atitude você ameniza todo esse problema embora ele vá permanecer ainda por um tempo, tal como foi com os outros abusos históricos da humanidade. O conselho: faça sua parte, há muito ao seu alcance.

É fácil achar alimentos e restaurantes que apresentam a comida que você deseja?
Alimentos prontos para consumo imediato não muito, mas matéria prima para se fazer há opções aos montes. (quais são esses ingredientes — matérias primas? E quais são essas opções aos montes? Aqui em Betim? Simples, esses aos montes se chamam: sacolão, supermercados e padarias (o pão francês é vegano), para o mais óbvio: verduras, frutas e legumes; para as mercadorias industriais basta ler os rótulos do que cada consumidor tem como interesse, por exemplo: enlatados vegetais, polpa de fruta, soja texturizada, molhos de tomate, macarrão, cacau em pó… Com farinha, vegetais e criatividade se faz uma versão de tudo que existe por aí no campo das massas. Não se deve confundir o veganismo com uma alimentação mais restrita, orgânica, exótica ou cara, isso é outra ideia. Afunilando a pergunta, especificamente em Betim tem a Casa Viverdes e a Verde Menu, que são lojas que atendem ao público estritamente vegetariano, também é comum os veganos comprarem pela internet onde se tem variados seguimentos de produtos feito por empresas com uma filosofia vegan.

No caso de restaurantes contento-me com o arroz e feijão (salvo quando o feijão não vem com nenhum ingrediente animal), saladas e batata frita; é o mais comum na maioria dos restaurantes que ainda não adotaram pratos exclusivamente veganos, o que por enquanto é raro.

Quais são as maiores limitações que um vegano enfrenta, na sua opinião?
Não vejo limitações no vegano, vejo limitações na sociedade.

Como o seu nutricionista reagiu? Apoiou? Discordou?
Logo que parei de comer carne em março de 2012 fui ao médico para fazer um check-up e entender minha saúde, em seguida procurei uma nutricionista que não me entendeu, mas sugeriu que eu aumentasse meu consumo de ovos, massa e laticínios. Achei estranho! Continuei pesquisando e em junho do mesmo ano decidi não mais ingerir alimentos de origem animal, estendi a filosofia para todo o meu consumo: vestuário, higiene, beleza… e desde então faço anualmente meus exames e constato melhoras em minha saúde mesmo eu estando cada ano mais velho.

E sua família, apoia?
Sim, inicialmente ficaram chocados, mas com o convívio entendem e com o tempo passam a se relacionar melhor com o fato de você ser vegano mesmo que eles discordem em algum momento. Há apoio verbal e apoio efetivo, minha mãe por exemplo cozinha perfeitamente, e minha namorada me faz alguns agrados culinários que são uma delícia. (O que ela prepara?) Sanduíches, Bolos, Tortas, versões salgadas e doces… Não é coisa de outro mundo manter uma dieta vegana, inclusive é mais fácil, aromático e saboroso, além de ser incrivelmente mais saudável. É um benefício multilateral em respeito a vida.

Como são seus relacionamentos com amigos, namorada, como eles reagem, apoiam ou não, a sua adesão ao veganismo?
Pra mim é tranquilo, aos outros nem sempre, nossa cultura nos trouxe até aqui com conceitos suaves e normalizados a respeito do hábito de comer carne que parece necessário e importante, vivi assim por 25 anos sem questionar e também achando tudo normal e sem problema, não posso julgar as pessoas por ainda não terem despertado sobre essas questões, isso acontecerá gradualmente e de maneira inevitável na medida em que o ser humano enxergar o amor de maneira mais ampla e indiscriminada. Acredito que o apoio se manifesta no respeito as nossas decisões, o veganismo é um ato de amor, não tem porque alguém ser contra esse acontecimento. Sobre essas questões e o relacionamento com os outros, para mim desde o início foi simples, vejo que são os outros é que se incomodam, eu me mantenho em paz.

Como é sua vida vegana? Explique tudo? Não come o que, não veste o que, não usa o que?
O Veganismo exclui qualquer consumo obtido de exploração a vida animal. Desde alimentação, passando pelo vestuário, higiene, beleza e englobando outras atividades que envolvam a escravização ou aprisionamento de seres para entretenimento, como circos, zoológicos e afins com propósitos comerciais, como também visa boicotar a compra de marcas e empresas que testam seus produtos em animais. É uma causa pela libertação animal em todos os aspectos em que há a crueldade ou uso de uma vida para se obter mercadorias ou soluções a custo do sofrimento de um ser dominado estupidamente pelo Homem.

Sua vida social é diferente por causa do veganismo?
Não, é como sempre foi, porém agora adaptada. (Adaptada como?) Por exemplo: se eu vou passar o dia fora e desconhecem minha opção alimentar eu levo algum lanche, ou planejo meus horários de ida e volta para almoçar ou jantar em casa, isso garante uma refeição mais completa, adequada e até mesmo mais segura para o caso de comidas servidas na rua, em eventos ou locais de procedência não confiável ou de higiene duvidosa.

Considera o veganismo uma decisão filosófica?
Sim, afinal filosofia é o conjunto de concepções, práticas ou teóricas, acerca do ser, dos seres, do homem e de seu papel no universo.

Qual a sua filosofia de vida?
Não fazer o mal e não participar de algo que faça mal ao próximo, sabendo que o nosso próximo não é apenas o Ser Humano, mas todo o meio que ele engloba, desde as vidas sencientes ao espaço que habitamos.

E para comprar roupas, como faz? Evita roupas de quais tecidos?
Obviamente não uso e evito qualquer fabricação que contenha derivados de exploração animal como lã, seda, couro ou outros insumos animais. Além dessas opções terem sido obtidas por meios cruéis, sacrificando e explorando animais, não podem sequer serem justificadas diante tantas opções tecnológicas, mais elegantes, baratas e eticamente saudáveis.

Tem ou já teve animais em casa?
Desde criança tive animais, lembro-me na primeira infância de ter um gato, também criei cachorro, passarinho, coelho… quando me tornei vegano eu ainda tinha um cão, por dois motivos o doei para uma boa família. Primeiro porque construí uma fábrica de alimentos no mesmo lote em que moro, segundo porque eu não queria mais participar de nenhuma compra que envolvesse a crueldade animal, ainda não há rações vegetarianas a preço acessível e mesmo podendo ter um alimento canino produzido em casa, hoje não tenho um espaço digno para a liberdade de um cachorro, foi uma decisão difícil por causa da afetividade que se cria com um ser tão dócil e amigável, mas dentro dos meus parâmetros foi o correto a se fazer partindo para a prática de um novo pensamento que rege a minha vida.

Você também é cantor, compositor, músico, e como faz quando é convidado a se apresentar em um rodeio, por exemplo?
Ainda não ocorreu a situação mas não é muito diferente do geral porque nas casas noturnas ou eventos sempre têm carne aos montes para o público comer e isso gera o mesmo malefício a um ser que teve a vida tirada para alimentar o prazer de alguém ou que teve uma vida explorada em confinamento para botar ovos ou dar leite ou mel para pratos e lanches que são servidos com uma aceitação popular. Tudo isso é uma questão cultural do qual estou envolvido pelo simples fato de viver nesses tempos, sou vegano para não participar dessa maquinaria dentro do que está ao meu alcance como indivíduo, meu modo de agir envolve que eu não contribua diretamente para fins que provoquem o mal a qualquer espécie. Quanto a fazer um show ou não nessas circunstâncias, dependendo de mim eu realmente não iria, embora nós não estejamos torturando animais nos palcos, nem estejamos explorando outra vida para entretenimento da nossa plateia. Eu preciso entender o direito de um amigo de banda poder se apresentar em tal festividade por causa do show, ou mesmo por alguma força contratual ou pelo fato de eu participar de um grupo em que apenas eu sou vegano não sendo acionista majoritário do negócio. Se hoje eu tivesse uma carreira solo ou controle sobre esse aspecto a resposta seria simples e direta: não me apresentaria.

Alguém já achou e falou que você é meio neurado porque é vegano?
Sim, mas não vejo nesses termos, afinal se você ler as embalagens de algumas batatas palha, por exemplo, vai ver que lá nos ingredientes pode conter leite em pó ou mesmo pode haver traços de ovo ou leite dependendo da marca/indústria que a produziu. Prefiro não me alimentar quando não sei o que estou comendo, e isso é uma importância que nem paramos para refletir quando simplesmente nos deixamos ser levados pela onda. Um pouco de cautela e cuidado não faz mal a ninguém, já o contrário, pode inclusive fazer mal a saúde, se não a curto prazo, a médio e longo com certeza. Observo que o incômodo não é meu, mas daqueles que não podem ver o quão pouco exigimos para obter uma informação clara e precisa. Eu sou um sujeito tímido mas para as significâncias que tenho vocação consigo me expressar e agir sem constrangimento. Não vejo porque me calar ou ocultar parte do meu pensamento… se me oferecem seja lá o que for eu digo: não, obrigado. Se há insistência digo com serenidade que não como, se há perguntas, respondo. Acredito que podemos sensibilizar aquelas pessoas que se questionam com suas escolhas, não vejo empecilhos em dialogar com aqueles que querem ouvir.

Conte uma situação de preconceito, difícil ou embaraçosa envolvendo o seu estilo vegano.
É preciso ser alheio as piadas e situações que ocorrem, prefiro não descrever casos mas tem uma frase de Chico Xavier que pode simbolizar essa resposta

“quem é perseguido muitas vezes consegue ir adiante, principalmente se estiver sendo perseguido de maneira injusta, mas quem persegue não sai do lugar”.

Eu sempre escolho continuar andando, escutando minhas intuições e seguindo o meu coração, é como me relaciono com Deus e com o próximo.

Você pode comer fast-food? E costuma comer?
Sim, mas depende da franquia e de como você escolhe os ingredientes que lhe serão servidos, tive algumas experiências mas prefiro não frequentar as maiores marcas por ainda não terem uma opção 100% vegetariana, pois mesmo nas escolhas veganas corre-se o risco de ter algum fragmento indesejado em seu cardápio, você precisa detalhar e observar passo a passo de seu pedido.

Compra produtos industrializados ou transgênicos?
Compro, opto por escolhas mais saudáveis e naturais sempre que possível mas não vejo problemas na existência industrial que é necessária para a produção em larga escala. Não ter ingrediente de origem animal é meu mais rigoroso ponto de observação, as demais proporções são consequências de outra ordem; sabendo que um tema não elimina o outro, a minha principal investigação é sobre o veganismo. Hoje não sou estudioso a respeito dos transgênicos, mas considero uma boa causa à se pesquisar. O progresso humano tende a ser sustentável e natural; se algo vai contra essas premissas é motivo válido de reflexão e transformação. Talvez um dia eu tenha uma resposta para essa questão.

Você suplementa alguma vitamina?
Sim, suplemento a vitamina B12 em cápsulas vegetais diariamente. Interessante que mesmo nos “alimentos” de origem animal contendo B12 os níveis naturais da vitamina são escassos para o organismo, logo a indústria onívora suplementa doses de B12 nos animais ou outros produtos para que forneçam a quantidade necessária ao ser humano. Ou seja, de um modo ou de outro todo mundo suplementa, o que muda é a forma de obter a vitamina.

O que tem a dizer para as pessoas que desejam ser veganas?
Como um amigo me disse e eu sequer fazia ideia da proporção que seria, transmito a quem se sente tocado a causa vegan, que se tornar vegano é uma das melhores decisões que alguém pode fazer na vida.

E para aqueles que comem carne e se alimentam de produtos de origem animal, o que tem a falar (para aqueles que não pensam em ser veganos ou vegetarianos)?
Gostaria de ilustrar a seguir com duas máximas de Mahatma Gandhi e adiante novamente com a reflexão de Alice Walker. “Seja a mudança que você deseja para o mundo” já dizia Gandhi que também expressou de lembrar-se “de que em toda a história a verdade e o amor sempre venceram. Houve tiranos e assassinos e, por um tempo, pareciam invencíveis mas, no final, sempre caíram”. Eu diria que hoje nós precisamos derrubar a nós mesmos, nossos pensamentos ultrapassados, nossos apegos mesquinhos, é preciso se sensibilizar porque “os animais do mundo existem para seus próprios propósitos. Não foram feitos para os seres humanos, do mesmo modo que os negros não foram feitos para os brancos, nem as mulheres para os homens”.

Ainda gostaria de dizer que: eu entendo esse costume alimentar, passei 25 anos assim e meu único arrependimento é não ter enxergado toda essa barbaridade antes, os sinais estavam ali o tempo todo, mas não posso julgar, eu poderia ainda estar agindo e reagindo do mesmo modo. Então tenho a paciência de compreender, mesmo que isso me doa e me faça conviver com esse entendimento. No meu caso é um sofrimento por compaixão, já para os animais, não há a mesma sorte, é o sofrimento e a perda de uma vida, e isso por vezes me desespera, pois sempre sinto que eu preciso fazer algo mais para ajudar a iluminar os corações e as mentes dos que estão se sintonizando nesse movimento, principalmente para aqueles que precisam que a informação chegue a sua consciência. É por meio da educação que podemos elevar essa dádiva; às vezes me sinto frágil por não poder com uma palavra mudar a vida de alguém, de outro ser, dos animais, porém sigo confiando e exercendo o meu simples ato de ser como eu gostaria de ver o mundo, então encontro a esperança que me diz que: realmente a verdade e o amor sempre irão triunfar pois tudo começa dentro da gente, do individual ao coletivo. Tudo progride com o tempo, para nós basta decidir quando começa a mudança.

Sensibilize-se!

Assista:

Terráqueos e a Carne é Fraca, depois leia o Manual do Veganismo.

MATÉRIA EXTRAÍDA INTEGRALMENTE DA ENTREVISTA À REVISTA MAIS BETIM POR RENATA NUNES EM AGOSTO DE 2014.
Publicação original: RBC

Saudável e sem crueldade

Publicação original: Revista Mais.

Fotos: Müller Miranda

Adeptos do veganismo, além de não consumir alimentos de origem animal, deixam de usar roupas de seda, lã ou couro. Parece extremismo, mas eles afirmam que, além dos benefícios à saúde, essa é uma filosofia da consciência do sofrimento submetido aos animais

Por: Renata Nunes

NÃO COMER NENHUM tipo de carne, ovos, mel ou laticínios, além de não vestir roupas derivadas de animais, incluindo sapatos de couro. Essa é a vida de um vegano, uma filosofia que contempla há­bitos alimentares vegetarianos estritos. A explicação, segundo os adeptos, está na consciência do sofrimento submetido aos animais.

“Os animais sentem a morte se apro­ximando, sentem o cheiro de sangue, ouvem os gritos de seus semelhantes, e nada podem fazer. (…) não adianta tre­mer e berrar, nem lançar olhares tristes para seus algozes, serão mortos, e ponto final.” Esse foi o trecho do texto do es­critor Claudemir Ferreira que motivou o também escritor, músico, professor e em­presário do ramo de alimentos veganos Tiago Henrique Rezende Fonseca, 28, a parar de comer carne. “Depois disso, co­mecei a ler, ver vídeos e me informar. Des­cobri o veganismo em 2012 e me tornei adepto. Não senti mais qualquer desejo por alimentos vindos da exploração de um animal, pelo contrário, passei a enxer­gar toda a crueldade desse meio”, explica.

Parece difícil cortar da alimentação produtos como carnes e derivados do leite, mas veganos como a professora Poliane Martins, 27, afirmam o contrário. “Foi simples me tornar vegana, eu tinha certeza de que era certo deixar de utili­zar os animais para o que quer que fos­se. Carnes de soja ou glúten, iogurte de soja e leite de coco são alguns alimentos que consumo no lugar da carne”, explica a professora, que, assim como Tiago, não usa sapatos e roupas de couro, lã ou seda e evita produtos de empresas que reali­zam testes em animais.

Tiago Henrique resolveu tornar-se vegano após descobrir a exploração e a crueldade sofrida pelos animais

PARA AGRADAR AO PALADAR

Quem imagina que a alimentação de um vegano não pode ser saborosa en­gana-se. Hambúrguer, “pão sem queijo” (uma versão de pão de queijo), feijoada, pizza e canelone, sem nenhum produto de origem animal, é claro, são algumas das possíveis receitas veganas. “Existe al­ternativas gostosas e saudáveis para toda versão de alguma receita com ingrediente animal, basta pesquisar e se aventurar na cozinha”, salienta Tiago Henrique, que destaca também outras receitas como churrasco com proteína vegetal texturi­zada (PVT) de soja e de vegetais, lasanha com tofu e empadas, todos em sua versão estritamente vegetariana.

O culinarista e empresário Paulo Re­nato Rabelo, 34, é proprietário de dois estabelecimentos que comprovam isso: um trailer de lanches veganos, localizado na praça Mendes Júnior, ao lado da rua da Bahia, e do restaurante Espaço Veg, ambos na capital. Receitas tradicionais, diferentes e que agradam pelo cheiro, aspecto e sabor fazem parte do cardápio do espaço: feijão-tropeiro, canelone, lasa­nha, nhoque e bacalhoada adaptada são alguns dos pratos sem nenhum produto de origem animal do Espaço Veg, que há cerca de dois meses vem conquistando o belo-horizontino. Ele conta que utili­za carne de soja, proteína do trigo e de mandioca para compor as iguarias. “Tam­bém uso outros tipos de proteína vege­tal, como seitan (carne vegetal) e salami­nhos à base de batata-baroa, que vêm de outro Estado.”

“Há 10 anos, decidi buscar e comer­cializar alimentos desse tipo. Era difícil encontrar comida vegetariana em BH e, quando achava, só eram os mesmos pro­dutos, sempre na linha ‘natureba’. Resol­vi inovar. Queria levar o veganismo para outro patamar, que fosse atrativo a todos. Comecei vendendo para amigos, depois, prestava serviço de bufê e, aos poucos, fui ficando conhecido”, comemora o em­presário.

Adepto do vegetarianismo há 47 anos, o empresário Vittorio Medioli acredita que chegará o dia que comer carne será equiparado a um vício inútil e prejudicial

É essa dificuldade em encontrar ali­mentos veganos que faz Poliane carregar o próprio lanche na maioria dos lugares a que vai. “Em lanchonetes, não há ne­nhum alimento que posso comer. Por isso, quando me tornei vegana e esque­cia meu lanche em casa, era obrigada a comer salgadinhos chips.”

O médico especialista em nutrologia Lucas Mendes Penchel explica que o ve­ganismo é uma reeducação comporta­mental e alimentar que o mercado não costuma incentivar. “Há poucas lojas e estabelecimentos destinados a esse pú­blico. Mas acredito que, com o tempo, esse estilo de vida terá um pouco mais de atenção do mercado.”

OPINIÃO DE ESPECIALISTA

Segundo a nutricionista Silvana Portu­gal, não há malefícios no veganismo, mas é necessário ingerir vitamina B12, que não é encontrada em alimentos de origem vegetal. “Veganismo ou vegetarianismo não é uma dieta, é uma escolha alimentar à qual podemos nos adaptar muito bem, principalmente, com orientação nutri­cional”, explica. Por isso, Tiago afirma que ingere vitamina B12 em cápsulas vegetais diariamente. “Interessante que, mesmo nos alimentos de origem animal contendo B12, os níveis naturais da vi­tamina são escassos para o organismo, logo, a indústria onívora suplementa do­ses dessa vitamina nos animais para que forneçam a quantidade necessária ao ser humano. Ou seja, de um modo ou de ou­tro, todo mundo suplementa, o que muda é a forma de se obter a vitamina”, revela.

Silvana salienta ainda que o ideal é que veganos tenham uma orientação para a suplementação, porque podem fazê-la de forma inadequada e desfavorecer o or­ganismo com excesso ou doses menores que o necessário. “Exames bioquímicos de vitamina B12, ácido fólico e homocis­teína são necessários para saber a real ne­cessidade da suplementação de vitamina B12. Muitas vezes, são necessárias tam­bém outras vitaminas, como a B6, B9, B2, além de ferro, zinco e cobre, para equili­brar o corpo. É preciso que o profissional faça a suplementação de forma persona­lizada, pois variam muito a quantidade e a variedade de nutrientes que cada um precisa”, informa.

Entre os benefícios do veganismo, a es­pecialista destaca o controle do colesterol e da pressão arterial, além do baixo índice de diabetes e de osteoporose. “O vega­no ingere alimentos ricos em vitaminas, minerais e antioxidantes que protegem o organismo e favorecem o sistema imune, o bem-estar e a disposição”, explica.

Foram justamente o bem-estar, a dis­posição e os antioxidantes provenientes da alimentação vegetariana que deram jovialidade ao empresário Vittorio Me­dioli, 63. “Depois de 47 anos de vege­tarianismo, vejo que estou mais preser­vado e tenho aspecto mais jovem que a maioria dos meus contemporâneos. Nos momentos mais críticos da minha vida, o vegetarianismo me socorreu e fez a dife­rença”, avalia.

Além de cortar da alimentação produtos como carne e derivados de leite, Poliane Martins não usa sapatos e roupas de couro, lã ou seda

Para Poliane, a carne não faz falta e, mesmo adepta ao veganismo, ela sempre é convidada para churrascos. “Se vou a um, como arroz, vinagrete e, quando pos­sível, farofa. Se vou a um barzinho, peço porção de batatas e azeitonas e acompa­nho o pessoal na bebida, porque o álcool é liberado ao vegano. Não sei dizer se já deixaram de me convidar por ser vegana, mas, se o fizeram, perderam uma excelen­te companhia”, brinca.

Quanto à necessidade de proteína, a nutricionista Silvana Portugal explica que existem dois tipos: a vegetal e a animal. “A proteína vegetal é encontrada na quinoa, na soja e nos seus derivados como (tofu, soja na vagem, tempeh, e no grão de soja cozido), amaranto e leguminosas (todos os tipos de feijão, lentilha, ervilha). Essas leguminosas combinadas com arroz são uma ótima fonte de proteínas para vega­nos e vegetarianos (três porções de legu­minosas para uma de ar roz)”, explica.

Você pode ler todas as edições da Revista em:
Memorial 1
Memorial 2
Atual

Vamos lá, compartilhe!

MANUAL DO VEGANISMO