RBC | Ed. 105

Imagem: William Mota
“ Não há nada mais intenso, mais insalubre e imprevisível do que o própria vida. Vivendo intensamente, imensamente e exageradamente, de maneira a encarar cada dia como se fosse o último!” Pamela Sobrinho

TIAGO HENRIQUE

POETAS
 
Desejava uma vida 
E vivi a vida inteira 
Desejando meus desejos, 
Contudo, as palavras parecem mortas 
Pois poetas parecem que nunca são vivos.

PAMELA SOBRINHO

Todo dia eu te queria do meu lado
Mal sabia o que o destino havia reservado para nós
Não, não vamos passar a vida inteira juntos
A eternidade seria muito para nós
Caminhamos nossa jornada juntos até aqui
Agora seguimos caminhos distintos
Quis o destino que fosse assim

Guardo boas lembranças
Você foi um bom amigo nessa jornada
O tempo juntos foi muito bom
Dificuldades enfrentamos juntos,
Como bons amigos nós apoiamos em muitos momentos
Felicidades também dividimos com entusiasmo

Eu não sei onde foi que nossa história se perdeu
Não precisamos levantar culpados nesse momento
Já basta esse adeus que precisamos dizer
Saiba, você foi muito importante para mim todos esses anos
Obrigada pela caminhada juntos.

Adeus, daqui pra frente eu sigo sozinha
Um até breve eu diria, seja muito feliz
Eu seguirei feliz meu caminho
Obrigada por ter feito parte dessa caminhada
Mas, adeus! Daqui pra frente é comigo.
Tem jornadas que precisamos fazer sozinhos
E essa é a minha.
Até mais!!

TARSO CORRÊA

Escrever o sonho

O tempo passou e não tive tempo para o tempo,
Trabalhei desde menino, abraçado ao cabo da enxada,
Brigando com a terra ressecada,
Maltratando minha alma magoada;
Acordava com a noite banhada pelo relento,
Pegava minha matula e ia para o campo,
Ganhar meu sustento, cantando meu pranto;
É, o tempo passou e hoje com as mãos tortas e calejadas, visão embaçada,
Aperto o lápis tentando expelir as letras,
Que teimam em sair tremidas no papel,
Como hieróglifos ininteligíveis, garranchos sofríveis;
Sou um cego que vê o mundo e não entende,
Nos neons e outdoors,
De vários tons e sons;
Sou dependente neste mundo restrito, menor;
Hoje, quero ser e ter um mundo maior,
Deixar o obscuro , saltar este muro,
Ser acessível,
E, tornar meu sonho possível.

BRENDOW GODOI

Fique fria, meu amor

Ele a encontrou por acaso, como quem 
encontra uma estrela dentro de uma lata de lixo.
Lá estava ela na porta do escritório de contabilidade:
Um rabo refulgente pregado a marteladas em um metro 
e cinquenta e sete de uma ruiva inesquecível.

Não demorou três dias, e eles já estavam juntos,
dividindo o papel higiênico barato sob o mesmo teto.
Sem pensar, ele abandonou um matrimônio de dez anos
e abdicou do título de pai de três filhos.

Mas como aquela ruiva fodia, ah!
Era uma espécie de carnificina musical. 
E na hora de ir ao trabalho, ela sempre dizia:
“Fique em casa só por hoje. Fique, meu amor”.
E ele não parava, ele não parava. Ele simplesmente 
não conseguia parar.

Todos os dias eram overdoses de amor.
Ele estava louco. Os lençóis não eram trocados
e exalavam o mais repugnante cheiro de suor e
sumos genitais.

Então, o telefone tocou, era o chefe:
“Seu maldito filho da puta! Você não vai vir trabalhar?”
“Você pode encontrar outro idiota em qualquer esquina.”

Sem grana, sem sustento, sem luz e sem água,
a sua ruiva começou a dar sinais de infelicidade.
Então, ele passou a mão na faca da cozinha e saiu.
“Fique fria, meu amor. Eu vou dar a vida que você merece.”

No mercado da esquina, ele apontou a faca para o pescoço
da mocinha do caixa. Uma mocinha de uns dezessete anos.
Um policial à paisana descarregou uma 380 no nosso herói.
Estava morto.

Na manhã seguinte, a ruiva estava dormindo com
o mecânico da avenida principal. Cinquenta e dois anos, 
analfabeto, mas com bons ganhos.

Você pode encontrar outro idiota em qualquer esquina.

LIVINGSTON MARLINSON

Cento e Vinte Quilos
Vivem sob sombra de uma vida morna
Medíocre!
Prefiro dormir sob cento e vinte quilos de terra.

O medo é o freio de mão
Que te impede de acelerar diante da pista aberta.
Pé na tábua!

O medo é a âncora do mundo!

Quando eu partir,
Quero que saibam, meus netos, filhos, amigos e amantes:
Nunca tive dons para artes, esportes ou amores…
Mesmo assim, me atrevi!

Vivi amores intensos e loucos!
Convivi com grandes músicos, artistas
Filósofos de bar e aprendizes da vida
Eu fui um aprendiz!

Dentro das possibilidades do corpo e do tempo
Fui bom amigo e um amante intenso.
Por isso, quero que saibam e digam:
Mesmo não sendo nada, fui tudo o que podia
Com todo meu meu coração!

ISABELA CAMPOS

Insônia mais uma vez
E a bateria do celular adormeceu 
A vontade era de acordar todos 
Porque não é justo
Minha mente produzir a noite
E meu corpo cansado
Eu me estresso 
Por não concordar com meu humor
Sou mais um infectado pelo vicio
Quero ser independente
Mas como sem saber?
Pois necessito de alguém 
10% de bateria
Estou tracanda no meu quarto 
Fones de ouvido e garrafas de Mary Jane vazias
Não soe como drama, mas 
Você se esqueceu de mim 
Todos esqueceram 
Eu juro, não queria me lembrar de você só por hoje.

BRIAN TAYLOR

Inoscente sorriso

Esse é um momento bom 
Se eu pudesse gritar pro mundo todo
Eu não ligo se isso for clichê
Eu simplesmente quero te levar comigo
Vamos parar o mundo do faz de conta
Em que tudo é real nas nossas mentes
Segure minha mão e vamos correr
A noite é a mais pura sensação de que estamos livres
Livres o suficiente para brincar como crianças
Que dao risada do gotejar de pingos de chuva em seus singelos rostos
Esta noite de lua
Nao de mel mas do nosso amor
Clara como os sentimentos que tenho por ti
Iluminada por mil estrelas que dançam conosco ao som de ED sheeran 
 Mas suas melodias nao sao tao lindas quanto o dueto de nossos coraçoes
Que na mesma sintonia batem, ditando o ritmo que a nossa noite ira passar.

Escritores: Isabela Campos e Brian Taylor

GIULIANO SANTOS

GOLPES

A cópia clara de Rodin atormentaria Alice acaso a esposa do Sr. Rhamed se atentasse à arte. Ainda moça, ainda intensa, servia o marido no jantar, retendo no moribundo o olhar de quem agoura o fim. Inútil calcular-lhe os anos, Sr. Rhamed há muito ultrapassara esta fronteira. Mas o que Alice não esperava era que a fortuna do velho fosse tão falsa quanto o Rodin da sala.

MARCOS SANTOS

Samba

Uma grande festa em comemoração.
Samba no sangue,
Cerveja no suor,

Vozes desafinadas do povo
Em harmonia com a realidade,
Crianças também cantam.

Velhos, jovens, homens e mulheres.
Todas as crenças e descrenças
Em periferias e hospitais.

Em todas as filas,
A voz dos inocentes.
Cantam os aflitos e oprimidos

E o mesmo samba
Cantam vítimas e assassinos
Que também são vitimas.

E a festa continua
Sem tempo 
Sem hora para acabar

Valiosos problemas socioais
Valem votos desse povo esperançoso
O poder em troca de promessas/palavras.

Valiosa ignorância acadêmica
Valiosa incapacidade de criticar ou enxergar
Uma velha e eficaz forma de manipular

Estão servindo migalhas ao povo que comemora
E sorridentes sonham
E sorridentes cantam sem enxergar.

ALAN AMARAL

Tempo Perdido Podcast. Assuntos variados, bom humor e espontaneidade. Escute em: www.tempoperdido.com.br Você também pode baixar o aplicativo Castbox para iOS ou Android e ouvir sob demanda.

CRISTIANO DE OLIVEIRA

Kill

Relembrando a Edição Especial número 100 e sua reflexão:

LUCAS DINIZ

Experimentações

ESPAÇO ABERTO

KELTON ALEXSANDER

Pensamento
O que se passa em nossa mente?
Como será que escondemos tanto de nós?
Qual seria o terrível segredo do subconsciente?
Porque não sabemos de quem realmente é a voz?
Quem seria aquele que ouvimos com demasiada frequência?
Seria possível que fosse um reflexo de nossa própria essência?
Quantas lembranças se perderam em meio a esse caos de sensações?
Por qual dos motivos seria possível ocultar quem somos de verdade?
Alguém poderia me dizer se é real a liberdade?
Afinal, o que somos além do um amontoado de emoções?
Quando teremos enfim as respostas que buscamos?
Será quem um dia saberemos quem realmente somos?
Ou será que não?
Quem sabe se a motivação para viver é achar as respostas?
É possível que essa jornada seja em vão?
Qual seria o peso da dúvida que carregamos nas costas?
Temos controle sobre aquilo que chamamos de “eu”?
Como sabemos ao certo o que nos envolve?
Seria certo chamar o pensamento de meu?
Somos autônomos ou algo nos move?
Será que sou genuinamente feliz?
Ou seria apenas uma simulação como em matrix?
Será somente eu que não entendo?
Eu vivo ou estou apenas sobrevivendo?
Algo me escapa de minha percepção?
Será que pra resolver devo ser mais atento?
Afinal, do que vale minha opinião?
Quando as dúvidas sairão do pensamento?

FABIANO REIS

Ilustração de Jackeline Menezes

WEB-CLIPES DE BETIM

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Edição publicada por
Pamela Sobrinho
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