RBC | Ed. 106

Imagem: William Mota
“Viver é aproveitar ao tempo, tempo esse que é um dos deuses mais lindos!” Pamela Sobrinho

TIAGO HENRIQUE

PONTO DE ÔNIBUS 
 
Um primeiro olhar passa correndo 
Um cumprimento surpreende aos olhos em transe 
O barulho parece música hipnótica 
O sol racha como mamona 
E a fumaça do asfalto se vê de longe 
 
Um segundo olhar fica pelo vidro, 
Segundos apagados após um piscar de olhos. 
 
O jornaleiro flerta a vendedora 
E jovens estudantes 
Experimentam um primeiro namoro.

PAMELA SOBRINHO

São vários quilômetros que me separam de seu abraço
São quilômetros que aumentam a minha saudade
São quilômetros que fazem com que nossas despedidas
Sejam assim tão sofridas
Quilômetros de incertezas, inseguranças, possibilidades
Pode dar certo, pode dar errado, pode não dar em nada
Mas como saber?
Esse frio na barriga, essa saudade gostosa
Fazem desses momentos especiais
E seja aquilo que for, seja o que virar
Na memória vai ficar

TARSO CORRÊA

A MORTE DO POETA

A morte para o poeta não é física,
E sim de sentimentos;
Que se apresenta tísica,
Esquelética e ressequida,
Nublando a dor não sentida,
O amor não correspondido;
É viver e não ver,
A cor e seus matizes,
O cinza, suas sombras e cicatrizes;
É não abraçar, não viver e morrer,
É simplesmente se perpetuar em um só momento.

BRENDOW GODOI

NAVALHAS

Os dias parecem dirigidos por Tarantino. 
Longas navalhas cegas de 96 horas.

A solidão é o tétano de uma 
alma enferrujada.

LIVINGSTON MARLINSON

O MESMO MENINO (TICO)

Enquanto eu tiver
Um quintal
Um pé de laranja
E um vira-latinha amigo
Serei sempre o mesmo menino

E o mundo toma aquela leveza
Que só pode ser sentida
Por um coração de menino.

E mesmo perdido em
dúvida, desespero e solidão
Encontro um jeito de sorrir
Quando um raio de sol bate
Nos olhos castanhos do Tico

E ele, levado demais…
Parece que me sorri também.

ISABELA CAMPOS

Aos 17

Ao auge da fama das calças justas, 
mais um verão tropical , 
eu me senti a tal naquele 
óculos Ray-Ban falsificado, 
qualquer guri olhava pro lado 
e eu desviava o rosto para que não percebecem 
o único erro ortográfico daquela 
bosta que eu insistia em usar, 
foi um lance de olho rápido 
e me vi babando por aquele shorts rasgado, 
ou será que era pelo o que tinha por dentro daquele pano? 
Quando desci em sua mesma direção, 
ela parou como se tivesse visto uma loja de roupas em promoção, 
virou-se a esquerda, um Uno mal estacionado numa rua movimentada,
 então , ela soltou seus cabelos cacheados 
e tirou um batom barato de seu bolso daquele 
mesmo jeans que me despertou olhares, 
passou rapidamente enquanto seu rosto refletia no vidro 
do banco traseiro do carro, 
apressou no andar de um escarpam vermelho, 
no 3 quarteirão ela estava imóvel, 
olhando pelo único motivo de tanta correria pelo bairro, 
ela nem se quer reparou que, enquanto olhava para ele, 
seu batom caia ao chão , 
foi o unico momento que pude desviar sua atenção, 
quando fui pega-lo antes mesmo de se chocar ao chão, 
então foi o sorriso mais bonito que recebi como retribuição, 
na mesma hora seu olhar voltou 
a se conectar com o dele e nunca mais a vi.

BRIAN TAYLOR

Pétala Negra

Aromas de rosas destoam minha atenção, 
meus olhos se viram a ti.
Tua fragilidade permea a rigidez que 
predomina em seu peito, em um jardim de 
pétalas vermelhas as suas sao negras.
Uma flor jamais tocada, mas arrancada de sua 
paz, raizes ao ar expondo suas memorias, 
gritando lembranças que ricocheteiam, 
ecoando vozee que jorram sangue.
Sua pura beldade, a beleza da diferença
A batalha pelo impossivel, o fruto que 
de lagrimas se banha, aquela que apesar de sua 
cor ainda sim é rosa.

GIULIANO SANTOS

PREMONIÇÃO

Retornando nesse cerrado, trago pra mim uma montoeira de lembrança que pinica na cachola. Enquanto me escoro no ombro do mais erado, a ruína da velha tapera mãe gospe o café preto da tardinha, adoçado em rapadura ou mesmo em garapa tirada a muque. Ainda me alembro do moirão de amarrar criação e o restinho de fruita velha no pé de coisa, abraçado com erva-de-passarinho como que estropiado com o correr do tempo. Tento rir sem gracinha da lua que, de tanto de espiar coisa boa, até se escondia de sem jeito, desacossoada que só. É no momento que a saudade deixa de estorvar que a gente põe sentido que a noite já tarda.

ALAN AMARAL

Tempo Perdido Podcast. Assuntos variados, bom humor e espontaneidade. Escute em: www.tempoperdido.com.br Você também pode baixar o aplicativo Castbox para iOS ou Android e ouvir sob demanda.

LUCAS DINIZ

Experimentações

ESPAÇO ABERTO

KELTON ALEXSANDER

Humanidade está sob um véu.
Moralidade imposta e distorcida
Por motivos inexistentes virou réu
Aceitam o jugo que lhes tira a vida.
Mantendo a aparência em prol da aceitação
Vivendo em rebanho na imitação
Massa cinzenta ficou esbranquiçada
Cujo move a mente da massa escravizada.
O certo quem define não somos nós
Sistema operacional corrompido
Onde escolhemos o próprio algoz
Cujo antes de começar estava falido
Estão preocupados demais com o tem
Que mal ligam para o que são
Dessa forma não são ninguém
E tudo que fazem é em vão.

WEB-CLIPES DE BETIM

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Edição publicada por
Pamela Sobrinho
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