Um camarãozinho de vez em quando…

Não se esqueça “frutos do mar” são animais.

Definições no wikipedia:

Camarão

Estes animais pertencentes à classe dos crustáceos, com exoesqueleto de quitina. Seu corpo é dividido em duas partes: cefalotórax e abdómen. São animais que apresentam um aparelho digestivo completo, ou seja, com duas aberturas para entrada pela boca e saída pelo ânus de alimentos. Também possuem sexos separados e sua reprodução é sexuada.

Os camarões, bem como os insetos, aranhas, siris etc. são animais pertencentes ao filo Arthropoda. Todos os animais pertencentes a esse filo possuem sistema nervoso, formado por gânglios cerebrais bem desenvolvidos, de onde parte o cordão nervoso central ganglionar. Seus órgãos dos sentidos são muito especializados e situados na cabeça. O seu coração situa-se na cabeça. Pode parecer estranho, mas os camarões também se comunicam entre si através de emissão de bolhas de ar, uma maneira adequada para a comunicação interespécie em meio a águas marinhas.

Frutos do mar

Na culinária tradicional o termo frutos do mar designa animais que geralmente possuem uma concha ou carapaça, como os crustáceos e moluscos, que vivem no mar ou em água doce. Apesar de não fazer parte da definição estrita, os peixes são usualmente incluídos nesta categoria.

ARTIGO

Só um peixinho ou um camarão de vez em quando…

Publicação original: Martha Follain / Anda (2011).

Vegetarianismo é muito mais do que não comer nenhuma espécie de carne. É idealismo, é amor ao planeta, à espécie humana e às outras espécies animais. E qual é a diferença entre comer peixe, caranguejo ou vaca? Alguns “vegetarianos” até confessam que ontem jantaram “arroz com camarão”, como se “frutos do mar” dessem em árvores. Mas só de vez em quando…

Para começar: qualquer animal que possua sistema nervoso sente dor.

Camarões são crustáceos, como lagostas e caranguejos.

Segundo o Centro Vegetariano: as lagostas são crustáceos que podem viver mais de um século e têm uma vida social complexa. O seu sistema nervoso sofisticado torna-as sensíveis à dor: está disperso por todo o corpo e não apenas centralizado no cérebro. Tal significa que sofrem até que o seu sistema nervoso seja completamente destruído. Separar a sua medula espinal e o cérebro em dois faz com que sintam a mesma dor em cada uma das partes ainda vivas! As lagostas também não dispõem de um mecanismo do qual dispõem os humanos (entre outros animais), que faz com que, em caso de dor extrema, um choque intervenha para fazer um curto-circuito na sensação.

Segundo o Dr. Robb, da Universidade de Bristol, uma lagosta mergulhada diretamente em água a ferver permanece viva cerca de quarenta segundos. Colocada em água fria levada à ebulição, pode sobreviver durante 5 minutos. Morta pelo método industrial, que consiste em imergi-la simplesmente em água doce, agoniza durante duas horas. Desde a sua captura (feita por mergulhadores especializados ou por armadilhas) até a sua morte, as lagostas são ainda obrigadas a suportar outros sofrimentos. Suportam uma privação quase total de movimentos durante semanas em minúsculas caixas metálicas nos portos, nos aeroportos, depois nas câmaras frigoríficas, e mais tarde dentro de aquários das lojas e restaurantes.

Por facilidade, mas também para evitar que sujem as caixas e aquários com dejetos, elas não são alimentadas durante todo esse tempo; por essa razão, com receio de que, esfomeadas, acabassem por se comer umas às outras, deixam-nas sempre com as pinças ligadas com fita adesiva. Atualmente existem muito poucas lagostas grandes e idosas devido à intensa exploração a que estão sujeitas. Junto às costas, quase já não se encontram estes crustáceos. Os pescadores têm de usar um número cada vez maior de armadilhas para manter o mesmo nível de captura. A procura mundial de marisco está, pois, a dizimar os ecossistemas. No mundo inteiro, em cada ano, mais de 80 milhões de lagostas passam por este sofrimento. São consideradas um alimento de luxo, motivo pelo qual são bastante consumidas em épocas festivas como o Natal e a Passagem de Ano”.

“É óbvio que, quando um caranguejo é cozido vivo, está sentindo dor, pois, à semelhança de outros animais, incluindo os humanos, tenta de todas as formas escapar. Os caranguejos, que são naturalmente territorialistas, são apanhados juntos e colocados em contentores ou caixas onde esperam pelo seu destino — assustados e confusos, muitas vezes chegam a lutar uns com os outros. Muitos partem as patas quando são apanhados de forma abrupta pelos pescadores. Uma boa parte deles morre antes de chegar aos locais de venda. O fim destes animais ocorre quando são atirados vivos para dentro de panelas de água fervendo — lutam tanto para fugir desta experiência horrível, que muitas vezes as suas pinças partem-se.”

Camarões: são também crustáceos muito delicados. Partilham a mesma capacidade básica para experienciar o sofrimento que outros crustáceos, como os caranguejos e as lagostas”.

E o “peixinho”?

Os peixes agonizam em asfixia depois de retirados da água. Morrem por falta de oxigênio. E, não há coisa pior que a tal “pesca esportiva” — a sensibilidade da boca dos peixes é comparável à sensibilidade em nossos órgãos genitais. O que você acharia de ser “pescado”, várias vezes, pelos seus genitais e depois devolvido à sua casa? Além da dor, o estresse sempre renovado.

Segundo o Centro Vegetariano: “O sistema nervoso dos peixes é complexo e sofisticado… O olfato está também muito desenvolvido em algumas espécies. Os salmões e outros peixes migradores apresentam o fenômeno “homing”, ou seja, voltam sempre ao rio onde nasceram para se reproduzirem. Está cientificamente provado que estas espécies “memorizam” o odor da água do rio onde nasceram, para um dia poderem voltar. Em muitas espécies, as papilas gustativas não se limitam à cavidade bucal, estão também noutras partes do corpo. Os ouvidos, além de permitirem a percepção de sons, funcionam também como órgãos do equilíbrio. Os peixes têm sistemas organizados de comunicação entre si. Emitem substâncias de alarme em presença de predadores…”

Afinal, os peixes sofrem?

“Pelo acima exposto, e que tem sido consubstanciado por estudos levados a cabo nomeadamente por cientistas ingleses, a resposta é simples: sim, os peixes sofrem. Enquanto criaturas do reino animal, dotadas de um sistema nervoso central, os peixes possuem um sistema de dor que é anatômica, fisiológica e biologicamente semelhante ao das aves e outros animais. Os peixes reagem a sensações de dor e de prazer e, na verdade, partilham até semelhanças com o sistema nervoso dos seres humanos, já que algumas espécies possuem neurotransmissores como as endorfinas, que induzem à sensação de bem-estar e de alívio da dor.

Logicamente, se os seus sistemas nervosos produzem analgésicos naturais, é porque estão predeterminados a sentirem dor. Os referidos estudos constatam que a morte por laceração dos tecidos, sangramento e asfixia (que caracterizam a pesca) é extremamente cruel, porque fonte de grande sofrimento para estes animais, não só físico, mas também psicológico. Ao reagirem à dor, os peixes sentem também estresse emocional e apresentam uma série de espasmos e movimentos de contorção muito semelhantes ao comportamento dos vertebrados superiores, como os mamíferos, em iguais circunstâncias.

E, embora inaudíveis para os seres humanos, alguns peixes emitem sons para exprimir a sua agonia, conforme concluem pesquisas conduzidas por várias universidades dos Estados Unidos. Sabe-se hoje que os peixes são animais inteligentes e que algumas espécies apresentam fenômenos interessantes ao nível da memória, da capacidade de aprendizagem e até da antecipação do sofrimento. Com efeito, alguns dos estudos feitos constataram que os peixes não só emitiam uma espécie de grunhido ao serem submetidos a choques elétricos, como grunhiam à simples visão do eletrodo, numa clara antecipação do sofrimento que dessa forma lhes ia ser infligido”.

Por favor, se você come um peixinho de vez em quando, crustáceos etc., você não é vegetariano. Pelo menos, tenha a dignidade de não se declarar como tal.

Para os do contra de plantão:

Penso que sim, claro, cada um come o que quiser, e isso pode não ter nada a ver com a índole da pessoa. Mas… todos nós sabemos que a pecuária faz mal, muito mal ao planeta — desmatamentos, exorbitante quantidade de água gasta etc.

E, ninguém pode negar a DOR e o MEDO que os animais não humanos sentem ao serem abatidos ou pescados para consumo. Sinto-me melhor ao não contribuir para as duas situações e tantas outras.

Sou vegetariana porque acredito no que prático ou vice-versa. Simples assim. Acredito que o regime vegetariano é melhor para o planeta, para os animais não humanos e para o organismo de animais humanos.

Quem não pensa assim, não faça. E também que não se declare vegetariano, por achar que “está na moda”. Não quero brigar com ninguém, mas também estou saturada desses argumentos. “Vegetarianos não são melhores que carnívoros etc.” — estou tão enfastiada desses argumentos, como os dos que se dizem vegetarianos comendo peixinho e camarão.

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