Veganismo não é religião!

Significado de religião: ¹Crença de que existem forças superiores (sobrenaturais), sendo estas responsáveis pela criação do universo; crença de que essas forças sobrenaturais regem o destino do ser humano e, por isso, devem ser respeitadas.

NÃO HÁ NADA DE SOBRENATURAL NO VEGANISMO

Leia mais definições dicionarizadas sobre religião: ²Comportamento moral e intelectual que é resultado de crença religiosa. Reunião dos princípios, crenças e/ou rituais particulares a um grupo social, determinado de acordo com certos parâmetros, concebidos a partir do pensamento de uma divindade e de sua relação com o indivíduo.

No veganismo não há nenhuma fé no âmbito religioso, a filosofia não se baseia em uma crença em Deus ou crença nos santos ou em qualquer outra forma de convicção doutrinária. Não existem rituais no veganismo tampouco uma divindade.

A seguir apresento outros autores e suas publicações esclarecendo que o veganismo não é religião.

GUIA VEGANO

Perguntas e respostas sobre o veganismo:

É UMA QUESTÃO DE OPINIÃO — COMO RELIGIÃO.

As religiões são baseadas em escrituras, tradições, dogmas e superstições milenares. Eu sou cristão e acredito em Deus, mas se você é ateu (como eu era) então poderia dizer que a religião não tem provas concretas. Isso é sua opinião.

No entanto, o veganismo é baseado em fatos concretos e inegáveis para qualquer ser humano. O abuso dos animais é real, bilhões de animais são mortos diariamente. Isso não é uma opinião. Se você tem alguma consideração pela vida dos animais e um desejo de não machucá-los ou matá-los, então não faz sentido continuar pagando pelo seu sofrimento.

DEUS CRIOU OS ANIMAIS PARA NOS SERVIR, LI NA BÍBLIA.

Quando eu li a Bíblia, em nenhum lugar encontrei nada dizendo que você é OBRIGADO a matar e comer animais. Acho que ninguém acredita que “Deus vai te mandar para o inferno” se você virar vegano. Aliás, para mim ser vegano é uma escolha baseada na compaixão, na paz, na compreensão de que toda vida tem valor. A religião não é um fator determinante nesse assunto. “Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia.”Mateus 5:7.

ANDA

VEGANISMO NÃO TEM NADA A VER COM RELIGIÃO

Publicação: Márcio Linck

É muito evidente que nos dias atuais o veganismo tem servido para aglutinar denuncias legítimas em relação à teia de crueldade e exploração dos animais e as devidas reivindicações justas em defesa dos seus direitos. Mas, mais que um veículo, não único obviamente, para a conquista desses direitos, é em si um conceito que idealiza uma condição e modo de vida de estar vegano e com isso evitar hábitos e práticas que impliquem o sofrimento e a dor alheia a seres indefesos e sencientes. Para uns, movimento ativista que tenta romper paradigmas culturais moldados no antropocentrismo e especismo “civilizatório” e para outros o cotidiano traduzido numa ética prática de se fazer o dever de casa. É claro que ambas situações/condições se mesclam e se fundem na vida de muitos que assim assumem esse modo de vida vegano.

Como conceito que abrange essas inúmeras possibilidades pertinentes a uma decisão individual por escolhas de consumo que não impliquem exploração/utilização de animais é possível substituir o termo “vegano” por libertador ou abolicionista, pois na prática é esse o resultado mais imediato que se deseja, o de interromper esse sistema de escravização dos animais.

É preciso ter em mente que cada indivíduo decreta a sua “Lei Áurea” aqui e agora, e a soma desses decretos individuais é que transformarão a grande estrutura desse sistema perverso.

O grande perigo de todo e qualquer idealismo é o apego aos rótulos que o identificam e com o veganismo não está sendo diferente. Assim como o “hábito não faz o monge”, apenas o rótulo “vegano(a)” não torna necessariamente alguém “superior” ou melhor que os outros. Se o espelho estiver embaçado e não for possível um olhar para si, basta a convivência real ou virtual com nossos pares de causa. Nesse sentido o veganismo acaba tendo semelhança com uma espécie de seita ou religião, onde o recém “convertido” tenta impor na marra sua crença ou mensagem de salvação, esquecendo sua condição “pecadora” pré-vegana! E muitas vezes a pregação pode mais afastar do que trazer “fiéis” para a causa e o fanatismo acaba sendo pior apenas para os animais. Nesse sentido basta reparar o que acontece nas redes sociais ou grupos de discussão. Se quiseres afastar um simpatizante ou futuro vegano para a causa basta colocá-lo num desses grupos.

O veganismo não é religião. E se assim for encarado, daí sim terá mais desafios e problemas para além daqueles intrínsecos ao mesmo. E a cartilha com mandamentos e deveres a serem cumpridos serão cobradas e patrulhadas, principalmente por colegas de dentro da “Igreja”. E ai daquele irmão que pecar e ainda tiver um resquício pregresso de conduta não vegana, seja por um detalhe em algum calçado ou vestimenta, seja pelo consumo desinformado de um produto (ainda que isentos de origem animal), porém de uma marca não vegana, seja por ocasião de uma confraternização entre familiares ou amigos e for visto entrando num restaurante do “mal”, seja por beber desinformadamente uma marca de bebida que patrocina eventos de exploração animal.

Enfim, há muitos exemplos desses “pecados” alvo de patrulhamento e condenação, que conforme o contexto, tornam-se piores que os ataques oriundos dos “infiéis não convertidos”. Até parece que os “puros” não frequentam mercados ou estabelecimentos que ofereçam produtos com ou sem exploração animal; que se utilizam de ferramentas da internet como as redes sociais que abrem espaço ou patrocínio também para a indústria da exploração! Interessante é que muitos veganos tem gasto mais energia entre si do que com aqueles que exploram e se beneficiam da vida animal.

É de suma importância que nessa caminhada alguém possa auxiliar o simpatizante, o protovegetariano e o vegano com alguma informação e esclarecimento (que implique ou não dar um passo adiante) a respeito de alguns produtos, marcas ou instituições que explorem ou não os animais, mas com uma didática respeitosa que não aponte o dedo arrogante de um “pastor” ou juiz da vida alheia. Impor modelo único de conduta e comportamento é coisa de religião. O contexto psicológico, familiar, social e local é extremamente diverso e complexo para ser encaixado ou engessado num único modelo a considerar-se “válido”. A vida de um vegano numa pequena cidade do interior, por exemplo, terá um modelo diferente comparado com a de um vegano de uma cidade grande ou de uma metrópole, onde este conta com inúmeras alternativas de produtos e comércio apropriado à disposição. Outra questão que não implica estar “certo” ou o “errado”, mas sim ter posturas distintas frente a uma mesma situação é daquele vegetariano ou vegano que é convidado a ir num almoço ou janta que terá animais ou derivados destes na refeição: Um prefere não frequentar esse ambiente e o outro decide levar um generoso prato vegano e mostrar que se pode comer saborosamente bem sem crueldade animal. Bem, ambas posturas devem ser respeitadas e nenhuma está sendo mais ou menos vegana. Porém, não faltará algum “guru” para julgar que um vegano “autêntico” não deva frequentar lugares profanos com rituais “pecaminosos”. Pois é, coisa de seita. E no fundo nem preciso dizer qual dos dois casos trará mais simpatia e possibilidades de adesão para a causa animal! Mas, ambos deverão ser respeitados em suas condutas.

Estar vegano ou ter propósitos veganos, ou ainda propósitos abolicionistas e libertários em prol dos animais? O que é mais razoável levando em conta que apenas as escolhas individuais não resolvem em sua totalidade os mecanismos de exploração animal e que devemos também atuar de modo coletivo a fim de um dia atingir um ideal 100% “vegano”? E nesse momento estou me referindo apenas ao ideal vegano sem entrar no ecoveganismo, que não só amplia como aprofunda a questão! Daí sim, parafraseando um ensinamento religioso, não sobraria um para atirar a primeira pedra.

JORNALISMO CULTURAL

NÃO É CORRETO RELACIONAR VEGANISMO COM RELIGIÃO

Por: David Arioch

“Me diga quais religiões que lutaram de fato pela libertação animal?”

Não acho correto relacionar veganismo com religião. O veganismo surgiu no Ocidente e a sua única defesa é pelos direitos animais. Afinal, não existia nada nos moldes atuais antes do veganismo, e a literatura relacionada aos direitos animais está aí para provar isso.

E se alguém me pergunta, mas e as religiões que condenam o consumo de animais? Eu respondo com outra pergunta: Me diga quais religiões que até agora lutaram de fato pela libertação animal? Elas normalmente dialogam com os seus, não com os outros. E mesmo quando seus adeptos não consomem animais, eles não realizam de fato um trabalho abrangente contra a objetificação animal, como o defendido pelos ativistas dos direitos animais.

É um caminho perigoso esse de relacionar vegetarianismo místico ou religioso com veganismo, e simplesmente porque religião e veganismo não são a mesma coisa. Uma pessoa pode ser religiosa e vegana, isso é normal, mas não concordo quando dizem que sua religião é vegana, porque veganismo não tem nada a ver com religião; porque o veganismo é o reconhecimento do direito animal à vida e a luta pelo abolicionismo animal. E a verdadeira transformação tem acontecido a partir daí.

SE VOCÊ TEM MAIS DÚVIDAS CONSULTE O GUIA DIPLOMÁTICO VEGANO. E PESQUISE TUDO NO MANUAL DO VEGANISMO.

VOCABULÁRIO

Doutrina: Reunião dos preceitos básicos que compõem um sistema (religioso, político, social, econômico etc.). Reunião dos fundamentos e/ou ideias que, por serem essenciais, devem ser ensinadas.

Dogma: Ponto fundamental ou mais importante de uma doutrina religiosa que se apresenta como algo indiscutível ou inquestionável.

Seita: Grupo religioso dissidente, que deixa de participar de uma religião por não concordar com suas normas e objetivos. Grupo com uma organização própria, geralmente restrito e fechado.

PUBLICAÇÃO ORIGINAL: FABIO CHAVES

Do livro: Nenhum animal merece ser considerado um ingrediente.

Você pode ler todas as edições da Revista em:
Memorial 1
Memorial 2
Atual

Vamos lá, compartilhe!

MANUAL DO VEGANISMO