Auto-engano da Moda.

Uma análise filosófica da indústria.

BetoBina
BetoBina
Sep 10, 2018 · 4 min read

“Conhece a ti mesmo”, a frase inscrita no Templo de Apolo, datada da Grécia antiga, sugere a necessidade do auto-conhecimento na nossa existência humana. Impulsionada por Sócrates com “A vida não examinada, não vale a pena ser vivida”.

Naquele tempo, Sócrates via um mundo com problemas, confuso e injusto. Ele, então, olhou para novas possibilidades, um mundo que não fosse vivido pelo brilho efêmero do poder e dinheiro, mas pela ambição de melhorarmos como seres humanos. Auto-conhecimento era o caminho para irmos de uma vida à outra: uma melhor versão de nós mesmos.

Templo de Apolo

Quão longe chegamos?

Uma vida de distrações é perigosa porque fazemos as coisas sem reflexão. Não estamos nos comportando com intenções verdadeiras, mas sendo empurrados pela inércia de outras intenções, desde a serotonina que gera um like do Facebook até a dopamina de uma oferta em promoção, estamos vivendo como sonâmbulos.

“Estamos tão acostumados a nos disfarçar para os outros, que no final nos tornamos disfarçados para nós mesmos”

-Francois de La Rochefoucauld

Eu penso, logo existo.

O oposto, quando você não pensa, você não deixa de ser um humano, mas é apenas um ignorante. Quando você é ignorante, você se torna mais vulnerável do que um filhote de gnu no Serengeti, uma vítima de outros ignorantes que vivem do sangue efêmero de dinheiro e poder.

Quando você não pensa, você deixa com que as pessoas decidam o que você deveria pensar, como você deveria se comportar e o que você deveria vestir. Você deixa nas mãos dos outros a construção da sua própria identidade. Você se disfarça para você mesmo.

O Pensador de Auguste Rodin.

Eu visto, logo existo.

Logo, identificamos outro problema, o problema ambiental. A indústria da moda contamina rios, lagos, córregos e joga entre 240 mil e 3 milhões de sacolas plásticas por dia nos oceanos. Estamos comprando 400% mais roupas que 20 anos atrás, reciclando apenas 20% e o restante indo para lixões, onde as fibras sintéticas permanecem durante anos poluindo a terra e o ar. (dados da Regeneration Mag)

A falta de auto-conhecimento, ou o excesso de auto-engano, assusta. Adicionando à confusão, uma pesquisa feita com adolescentes de Nova Iorque revelou que a marca mais lembrada como “sustentável” foi a H&M.

H&M tem feito diversas melhorias mas, se você considera uma marca de fast fashion sustentável, você não está pensando o suficiente, ou talvez nem pensando esteja. Você está na verdade jogando lenha na fogueira e tornando-se cúmplice.

O caminho para o inferno está cheio de boas intenções.

Só sei que nada sei.

Da ciência à filosofia, a única coisa que sabemos é que nada sabemos. E esse paradoxo Socrático deveria ser nosso único Conscious Collection em que acreditamos.

“Conhece a ti mesmo” é quando transformamos a pessoa no objeto. Nosso foco não é no objeto que precisa ser melhorado (a indústria da moda), mas na pessoa que quer saber sobre o desconhecido.

A pessoa que sabe, reconhece que não sabe e deseja saber mais. Essas são as pessoas que deveriam estar na moda.


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A maioria das ideias filosóficas e aforismos foram tiradas do livro que me ensinou que eu nada sei: Auto-Engano do Eduardo Giannetti.

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Strategy, Innovation & Sustainability.