Não importa se é Golpe
Consolidado o processo iniciado quase que imediatamente após as eleições de 2014 tem coisas com as quais podemos concordar e discordar.
Podemos concordar em detestar o governo Dilma, mesmo se considerarmos o boicote do Congresso é inegável a quantidade e a extensão dos erros (administrativos e de caráter) do governo, detesto as trocas que fizeram por um apoio que nunca se confirmou e como essas trocas fizeram o governo depender de Collor’s, Maluf’s, Sarney’s e etc…
Podemos discutir sobre se houve ou não crime de responsabilidade, pois há juristas de lado a lado defendendo teses, mas podemos concordar que o Impeachment foi político, o próprio Álvaro Dias o disse e não há problema em que seja político, mas é preciso admitir.
Vamos discutir, talvez até epistemologicamente, sobre a palavra GOLPE, pode até se tornar uma espécie de “Capitu traiu ou não?”, mas vamos ter que concordar que o Congresso, que desde o Mensalão a gente vem atacando (e até bem antes com os anões do orçamento e os “300 picaretas com anel de Doutor”), e que foi o mesmo Congresso contra o qual também lutamos em 2013 e quase conseguimos fazê-los aceitar uma reforma política, esse Congresso, acuado, atacou e hoje venceu.
Independente do posicionamento político quem venceu de fato foi uma boa parte da cleptocracia nacional, foram os deputados e senadores obscuros que demonstraram seu poder diante de um Governo fraco e podemos concordar que daquele vespeiro nada podemos esperar a não ser a consolidação do que eles tanto desejam: impunidade.
O governo do PT combatia a corrupção? Podemos discutir sobre isso, mas teremos que concordar sobre a liberdade do MPF e da PF conseguidas durante o governo Lula, o STF independente (e muitas vezes DEMONSTRANDO ser o poder mais forte) são obras do PT, muito mais, na minha opinião, por omissão é claro, mas foram frutos desse período, o que também acredito seja o natural amadurecimento dessas instituições.
Havia corrupção no governo do PT? Podemos passar dias enumerando quanta corrupção existe em outros governos, podemos argumentar que o sistema é sujo (e de fato é), que a imprensa é parcial, que a Lava-Jato ainda não investiu sobre os outros partidos, mas seremos obrigados a concordar: havia sim corrupção no governo do PT.
Inicia-se agora uma quadra da história onde o Parlamento, que sempre foi um poder obscuro, tornar-se-á (Rá!) quase protagonista. Peço que vocês que hoje comemoram não percam de vista que o atual governo continua com os mesmos compromissos obtusos e, creio eu, tenha agora ainda mais compromissos desse tipo, não esqueçam que o governo que agora se consolida é formado por aquilo que desde, pelo menos, a década de 80 sempre esteve ligado ao poder e à corrupção: O PMDB.
Você que odiou o governo Dilma já sabe que o governo Temer se apoiará na mesma base parlamentar (com a troca de PT por PSDB e agregados) e que terá alguns dos mesmos ministros e a talvez mesma política econômica (só lembrar que Henrique Meireles fez parte do governo Lula e quase foi chamado antes de nomearem o Levy).
Sabemos que as mudanças não se darão sobre os privilégios DELES políticos, juízes do supremo e etc e sim sobre nós, sabemos que a aposentadoria a ser revista não é a aposentadoria especial deles, e sim a nossa, já desgracenta, aposentadoria.
Sabemos que “os ajustes” não se darão sobre seus gastos ou sobre a forma indecorosa com que gastam nosso dinheiro, mas sim sobre a saúde e educação (que já estão paupérrimas) e que atendem a milhões de pessoas pelo país.
Não deixe de se revoltar, por favor, pois agora assume um novo governo que possui mais ligações com a mídia, que conta com a benevolência de muitos e isso pode nos deixar preguiçosos, não podemos permitir que nos enganem, devemos estar vigilantes.
O #FORATEMER espera a adesão de vocês e não vejo motivos para que vocês não se juntem a nós.
Ao tirar a Dilma do poder (injusta ou justamente) também devemos tirá-la de nossas discussões e procurar onde podemos concordar.