É errado um anime ser sexy?

Otakus ocidentais dizem ao Japão: Domo Arigato. Desde que o mundo ocidental tornou-se cristão, nós criamos toda uma cultura e sociedade sexualmente doente, frustrada e recalcada. Falar em corpo, desejo, prazer, amor e sexo é simplesmente uma questão política. Quando a Igreja surta e fala, histericamente, que existe uma “conspiração mundial” para impor uma “ideologia de gênero”, quase passa despercebido que a Igreja é a maior interessada em uma ideologia de gênero, a dela, a que satisfaz seus dogmas e doutrinas, a que permite que a Igreja mantenha seu poder e influência.

Nem sempre fomos assim. Houve uma época quando nós tínhamos muitos Deuses, muitos templos e nenhuma religião oficial. Não faltavam cultos e rituais que sacralizavam o sexo, a sexualidade, a fertilidade e a fecundidade. Atualmente seria um escândalo falarmos da curiosa e complexa vida sexual dos Deuses antigos. Os mitos antigos são metáforas e analogias para verdades universais, mas nessa cultura ocidental cristã, falar em incesto, traição, relacionamento múltiplos ou [******] [censurado para o seu e o meu bem estar] é provocar a ira do moralismo hipócrita da nossa sociedade.

Otakus ocidentais querem e gostam de animes porque não tem os mesmos tabus. Os tabus japoneses são… diferentes e esquisitos, em nossa opinião provinciana. Nos desenhos animados ocidentais, a nudez ou erotismo somente estão presentes no “desenho pornográfico” e nos desenhos animados japoneses a nudez e o erotismo são considerados normais, naturais e saudáveis.

Um bom exemplo, para a felicidade deste pagão e otaku, é o anime “Dungeon ni Deai o Motomeru no wa Machigatteiru Darou ka?” [abreviado para DanMachi] porque mistura mitologia, ação, Deuses e a relação de familiar entre estes e os humanos.

Há um clima entre Bell Cranel [o protagonista] e Hestia, a Deusa que o tomou para ser seu “familiar”, mas que nutre algo mais do que um “amor familiar” pelo seu protegido. Para um ocidental latino é incompreensível como Bell aparentemente ignora as cantadas da Deusa e como ele dorme no mesmo quarto com ela sem tentar tirar uma casquinha. O engraçado do anime é esse clima de erotismo “inocente” que rola entre Bell e Hestia.

A coisa complica quando Bell desenvolve uma paixão por Aiz Wallenstein. Como se isso não fosse suficiente para a crise de ciumes constantes de Hestia, Bell complica ainda mais ao contratar Liliruca Arde como seu suporte. Aiz ignora Bell, mas o treina para entrar nos clabouços enquanto Liliruca desenvolve a mesma atração que Hestia tem por Bell, fazendo com que as duas lutem pelo amor de Bell, dando várias oportunidades para cenas picantes e muito serviço para fã.

O anime perde um pouco a graça com cenas de lutas, marmeladas que eu vejo em muitos animes de luta. A progressão de Bell parece muito com um jogo de RPG, mas ele pena com o treinamento duro ministrado por Aiz. Ele recebe algumas ajudas, como uma faca forjada por Hefesto e pela sugestão de que ele é filho de Zeus.

Esse anime teria um bom potencial se explorasse mais o erotismo e o estilo harém, mas existem animes que fazem exatamente isso, deixando claro que anime pode, sim, ser sexy.