Aposentadoria das Gerações Y & Z

Bevert
Bevert
Jun 14 · 6 min read
Idoso admirando a praia, por Elena Saharova, no Unsplash

Aposentadoria. Não seriam os garotos e garotas da BeVert ousados demais em tratar um tema — atualmente — tão importante, controverso e ao mesmo tempo tão pouco debatido em uma edição comemorativa de sua newsletter?

Sim, nós somos 😊

E não vamos tratar aqui de qualquer aposentadoria, não Sr. e Srta. Hoje vamos tratar da aposentadoria que diz respeito às gerações mais jovens da nossa sociedade, mais conhecidas como Geração Y (ou Millennials) e a Geração Z, ou os “verdadeiros digitais”.

Ao longo do texto, além de bastante informação, vamos priorizar o debate. Exploraremos as opiniões e anseios de cinco jovens que fazem parte dessas gerações (incluindo eu, mas sem spoiler, continue até o final e veja minha opinião).

Primeiramente, o início de tudo: o que são essas gerações? Porque elas são importantes?

A divisão histórica das gerações que viveram e vivem no planeta faz parte de uma teoria, chamada de “teoria do grupo geracional”. Essa teoria sugere que uma forma de se compreender as diferenças entre consumo e comportamento pode ser através do grupo geracional que uma pessoa faz parte. O grupo, nesse caso, é compreendido como um conjunto de pessoas que nasceram durante um período de tempo específico e partilham do mesmo ambiente histórico e até mesmo experiências semelhantes em vida.

Aposto como você já ouviu falar nos Baby Boomers, nascidos após a segunda guerra mundial, ou da Geração X, que produziu os grandes empreendedores. Quando citamos a geração a partir de sua denominação, é comum que apareça em nossa mente uma figura simbólica, que representaria o grupo como um todo. Por exemplo, é comum pensar nos Baby Boomers como a família americana que mora no subúrbio, naquelas casinhas sem cerca; ou em um Millennial como um jovem/adulto que salta de um emprego para outro, caminhando por aí com um notebook e fones de ouvido. Essa nossa imaginação de um indivíduo que poderia representar o grupo em sua totalidade é chamada de “arquétipo”. É o exemplo que melhor exibe as características do todo, ou seja, do grupo por inteiro. E nesse momento, podemos resgatar uma frase dos primeiros autores que formularam a teoria do grupo geracional


“Você pode exibir várias características do grupo, algumas delas, ou bem poucas. Toda geração inclui todos os tipos de pessoas.”


Algumas gerações, seu período de nascimento e as características e valores que representam cada uma delas. Fonte: esse artigo, esse também e essa pesquisa

Mas o mais relevante da análise feita sobre os grupos de gerações são os impactos que estes indivíduos sofreram, sofrem e sofrerão, devido aos eventos que ocorreram durante sua formação. No caso das gerações que são o nosso foco, eventos como a bolha das “.com” no início dos anos 2000, os atentados de 11 de setembro de 2001, a crise financeira global em 2007, grandes débitos estudantis e a estagnação econômica durante a entrada no mercado de trabalho são eventos bastante relevantes em nossas atitudes.

Justamente por observarem e vivenciarem tantos eventos econômicos com impactos negativos, os Millennials (Geração Y) são reconhecidamente aversos a riscos e tendem a se apresentarem como investidores conservadores, inclusive retendo um maior número de dinheiro em notas — ou contas bancárias — do que em ações. No caso da Geração Z, apesar da escassez de pesquisas, são percebidos como mais atenciosos em seu futuro financeiro, mais preocupados em guardarem dinheiro para a velhice e procurarem estabilidade no ambiente de trabalho em detrimento de altos salários. Complementarmente, as novas gerações buscam assistência financeira em maior número que as anteriores, apesar do número ainda baixo, compreendendo a dificuldade de se gerenciar os próprios ativos financeiros a partir de um novo paradigma de menor assistência governamental e privada na gestão de suas poupanças.

Entretanto, é importante ressaltar algumas estatísticas preocupantes. Primeiramente, o fato de que a riqueza mundial vem caindo geração após geração, tornando as novas gerações mais pobres que as anteriores. Para fins ilustrativos, imagine que no Brasil o ticket médio dos Millennials é 26% inferior ao da Geração X com praticamente o mesmo número de operações de compras. Além disso, a falta de planejamento do futuro gera menor poupança, o que levará a um déficit previdenciário de R$ 1.5 quatrilhões apenas nos oito maiores mercados de pensão do mundo. Some a isso a economia que teima em não acelerar, expectativa de vida mais longa, baixo retorno da poupança, mudanças radicais no mercado de trabalho e baixos níveis de educação financeira e temos um quadro preocupante.

Sendo assim, é necessário que possamos compreender não somente a necessidade de se poupar mais e melhor para o futuro, mas também que a forma de poupança que as gerações anteriores vivenciaram estarão paulatinamente cada vez mais ausentes em todo o mundo. Afinal, considerando o nível de produtividade da sociedade americana, apenas os Millennials deverão trabalhar até os 70 anos para que suas poupanças sejam suficientes para o restante do tempo de vida esperado. Considerando-se o cenário brasileiro, tal condição é ainda mais alarmante.

Enfim, chegamos à nossa discussão. Pedimos para que cada membro da BeVert analisasse o tema em questão e apresentasse sua opinião. Então, vamos lá!


“Um dos focos do nosso trabalho na BeVert é preparar o cliente financeiramente para o momento de sua vida em que o vigor e a energia já não estejam tão presentes, ou em uma situação mais catastrófica em que algum acidente o impeça de trabalhar. Seja pela atual crise econômica, ou uma mudança estrutural, o fato é que existe um movimento no mercado de trabalho que converge para a automação e atuações cada vez mais independentes e individuais, e saber se planejar financeiramente para esse contexto é fundamental para colher os frutos na aposentadoria do seu trabalho na juventude.”

Matheus Henrique (CEO)


“Com as perspectivas sobre aposentadoria pouco otimistas, torna-se cada vez mais necessário o debate sobre educação financeira. Como não é uma disciplina comum nas escolas, o brasileiro, no geral, não possui hábitos financeiro saudáveis. Segundo o SERASA, em 2018, o índice de inadimplentes no Brasil atingiu 61,6 milhões. A situação econômica atual é grande responsável por este valor, mas não é a única culpada. Maus hábitos, como gastar mais do que arrecada, exceder o limite do cartão de crédito e não poupar são exemplos já conhecidos. Pode não parecer, mas não ter controle de suas finanças no presente pode comprometer seus ganhos no futuro.”
Pedro Arthur (Consultor BeVert)


“A Geração Y é considerada conservadora em relação aos seus investimentos financeiros, além de impacientes quando se trata de feedbacks na educação financeira (quando procuram por esse serviço). Já a Geração Z procura se planejar para o futuro em maior grau, principalmente em relação a finanças. Além disso, se identificam pela criatividade e otimismo, vivem em meio a tecnologia e aos novos modelos de trabalho. Esses jovens não acreditam mais em se dedicar apenas à um trabalho ou profissão durante toda a carreira profissional, sendo uma geração que se permite arriscar mais.”

Ravena Carvalho (Consultora BeVert)


“A partir dos dados e números que podemos observar ao nos debruçarmos sobre o tema, não podemos deixar de pensar a respeito de nosso futuro enquanto geração. Enquanto vivemos o agora, as projeções de nosso futuro parecem distantes daquilos que desejamos. Mas, se somos reconhecidos por sermos ansiosos e voláteis, porque não ansiarmos também pelo tempo que ainda não chegou? Em um mundo onde os mercados e oportunidades mudam constantemente — às vezes sem nos dar quaisquer indícios — é importante que as oportunidades sejam planejadas e aproveitadas. O agora pode não se repetir, e o futuro ser comprometido.”
João Moreira (HCS/Marketing)

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