Toquei a campainha

Não quero mais superfície. Não quero mais talvez. Não quero mais tapinha nas costas nem sorriso amarelo. Nada de conversa fiada. Nada que não fale de amor. Que não respire ou transborde amor. Não quero o que não soa apaixonado e que não tem o bem como caminho. Não quero estar em abraços que não são meus, de verdade, mesmo que só naquele instante. Não quero deixar meu suor em outra pele sem que meu coração acelere a cada toque.

Quero profundidade, beleza. Ainda que confuso e incerto, mas que venha do fundo. Que seja sem filtro, sem querer, que deixe sem graça. Que roube o ar por alguns instantes para fazer com que a próxima respiração seja tão intensa que não reste alternativa a não ser agradecer pelo ar que presenteia com vida.

Quero mergulhar fundo, ver aquilo que não foi visto por muitos. Anseio pelas descobertas, pelas surpresas. Nada de padrões, só aquilo que é peculiar e precioso. Aquilo que é raro e caro e leva tempo. O que cresce, porque precisa ser cuidado e precisa do calor do sol pra se manter vivo.

Quero quem deixa a bagunça à vista, quem não empurra a sujeira pra debaixo do tapete mas pede perdão pela bagunça. Quem não se envergonha da cama bagunçada e do cabelo desgrenhado. Quem abraça sem tempo limitado. Aquele momento em que o coração bate no mesmo ritmo só porque está perto.

Quero ir fundo, tão fundo, que não haja barreira. Que seja infinito. Que não dependa de tempo, de espaço e que se resuma num sorriso. Quero que você me deixe entrar e me aventurar no desconhecido. Estou preparada. Vim aqui pra te ver. Abre a porta pra mim.

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