Deflagração Universal

Já queria dizer aqui no começo que esse texto não vai ter uma linearidade muito compreensível. O que há de vir é uma regurgitação mental de alguém que perdeu a capacidade com o tempo de se expressar coerentemente. Alguém que não sabe mais direito o que faz e não faz sentido. E todas essas coisas.
Uma coisa eu tenho que admitir: eu estou o tempo todo procurando respostas pra tudo. Tudo. E se certas coisas não tem a resposta eu já entro num transe caótico que me perturba constantemente até que eu simplesmente esqueça tal assunto, ou simplesmente me embasbaque com outra futilidade. Mas e quando a resposta vem, e não é a que nós queremos? É aí que a veracidade da nossa “sanidade consciente” é colocada em prova. “Ah, mas se fosse assim?”. “Ah, mas se eu tivesse feito de tal jeito?”. O que quero dizer aqui não é para apontar dedos e procurar um culpado, pois sabemos que a vida é feita de imprevisibilidades que não conseguimos dar conta. Paciência. E a ideia de que o universo pode não rodear em torno de nossas cabeças, ou controlar nossas vidas, parece tão distante e tão extraordinária, que quando a verdade bate na nossa porta, a casa cai.
Mas, na verdade, eu não sei. É difícil manter essas ideias em órbita, numa zona confortável e segura. A qualquer momento nós podemos virar um manequim em uma prova de tiro, sem ter muito pra onde ir. E o mais engraçado é que isso acaba virando um grande clichê de repetir o erro mil vezes, nunca se dando conta de tais incríveis feitos, e com magnífica eficiência (interprete-os como quiser).
Nos últimos tempos tenho pensado muito a respeito do que faz e não faz sentido na minha vida. Na verdade acho que nunca dei tanta ênfase pra isso na minha vida inteira do que venho dando ultimamente. E acho foi preciso todo esse esforço pra perceber que, no fim, nada disso vale muito a pena. Se for pra sofrer com isso, relaxe que a vida tem sofrimento de sobra pra te dar. Conhecimento básico.
A dificuldade que é botar as coisas em perspectiva. Pra organizar. O horror. Buscar sentido nas coisas nunca fez tão pouco sentido. Hábitos que hoje em dia já não trazem mais nada de intrigante. O abandono do casual. Viver intensamente. Estou certo ou errado? Pode ser ou pode não ser?
Fazer o seguinte. Que tal enxergar por dentro das mecânicas e engrenagens só pra não faltar energia nos próximos tempos? Eu admito, ando tendo medo que quando essa energia eventualmente acabar, talvez eu acabe adentrando em uma caverna sem fim, meio diabólica até. Pensamentos sem fundamentos, irracionais, eles acabam tomando conta da cabeça e, mesmo que você acabe reconhecendo-os racionalmente, eles continuam soberanos. Bom, pelo menos para mim.
Eu poderia colocar certas prioridades em destaque (o contrário do que estou fazendo neste momento), me manter coerente perante o mundo e pensar comigo que talvez não há nada de anormal em ter essas linhas de pensamento insanas, erráticas. Paranoicas e defeituosas. Pois talvez isso seja tão humano quanto qualquer outra coisa. Mas quem irei enganar. Conta outra, vai. Tosqueira
Esse texto não saiu exatamente do jeito que eu queria, mas acho que isso é uma representação do que venho pensando e sentindo ultimamente e, o que terminalmente tentei passar em palavras por aqui. Depois disso quem sabe eu penso em dormir menos.
Façam reflexões, mas não exagerem. Dá uma canseira e me deixa um pouco triste com frequência indesejada. Quem sabe eu me retrato mais outro dia quando não estiver numa bolha.
Não tá fácil não, bicho.
Antonio P. Porto
