Como Prova da Minha Eloquente Inaptidão.

Confesso que para ti, nada sei. O nome talvez, e mesmo esse ainda é incerto, visto nesta fase nada nos permitir ainda saber ao certo qual a letra do teu género. Mais do que isso, adivinho que estas coisas dos nomes sejam provavelmente pouco esclarecidas na cabeça de todos os pais até virmos cá para fora e rugirmos ao mundo pela primeira vez.

Também não sei como vão ser as tuas primeiras horas, semanas, meses ou anos. Se vais ser dos que dormem ou dos que não deixam dormir. Dos que comem ou dos que dão de comer aos seres invisíveis que habitam à volta da mesa. Se vais querer falar ou preferir o retiro do teu silêncio. Se vais querer brincar dentro de casa ou fora de portas. Qual vai ser o teu lugar favorito deste mundo e dos outros que hão de vir?

Não sei como te pareces. Pouco cabelo ou com um capacete de veludo? Liso e brilhante como o da mãe ou encaracolado e desgovernado como o do teu pai? Olhos verde-mar ou da cor de duas pequenas avelãs? Sorriso aberto ou de semblante ponderado? A que vai cheirar a tua pele? Qual vai ser o tamanho das tuas mãos, a forma das tuas unhas, o jeito com que talvez um dia venhas a escrever para quem te escreve agora?

Não sei. E não bastasse tudo isto, não sei também o que fazer para te ajudar. Se vais preferir dormir no meu braço esquerdo ou mais sobre o direito. Se vais querer que te apoie quando caíres ou se te está no sangue tropeçar e erguer por ti. Se estarás à espera que te faça companhia dia-fora e noite-dentro, ou se me manterás por perto apenas para os momentos em que mais precisas. Será que te vou conseguir ensinar tudo o que precisas saber? Será que te vou dar tudo o que precisas de receber? Quando te vou ralhar e quando te vou perdoar? Quando te vou abraçar, mesmo que só me apeteça gritar? Quando é que te vou parar de amar? Quanto é que te vou amar? Quanto? Talvez tanto quanto o tempo que for preciso até eu aprender tudo o que hoje não sei precisar.

Ainda assim, nada sei. E como prova desta eloquente inaptidão de quem sabe que está pronto para nada saber, nada mais posso fazer do que sonhar. Espero que gostes do mundo que fizemos para ti.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.