fragmentos de fiasco

feche a porta

a rua fede a fracasso

os ratos apodrecem na praça

o esgoto vaza em jatos como o suco gástrico da cidade viva

que agoniza em convulsões


feche a janela

não quero saber do sol escaldante

que me faz pensar como será minha morte

o momento em que finalmente tomarei posse de meu corpo


toquei a campainha três vezes

ela não estava lá

hoje sempre olho interruptores com um asco inexplicável

a calçada da volta é de concreto

mas o caminho de sempre é mais longo e abstrato

se confunde com a minha própria existência

que sequer pode ser chamada de miserável


que se foda essa merda toda

cuspo no chão e o cuspe olha pra mim com desprezo

como quem pergunta

“o que você se tornou, seu monte de bosta?”

Show your support

Clapping shows how much you appreciated Ian Pablo F.’s story.