outros outubros virão

não sei quanto tempo tem 
que o caldo entornou pro lado de cá
as estações passam 
mas permanece o espírito de um longo e tenebroso inverno

as massas pauperizadas carregam nas ruas suas correntes invisíveis
as correntes carregam as massas e as prendem a homens de bolsos cheios e cérebros vazios
vez ou outra vem uma voz no escuro 
pra dizer que isso não pode ficar assim
como pisoteada por um monte de gente
essa voz rouca resiste 
mesmo sendo feita de muitos gritos dissonantes

muitos já morreram gritando 
a dor de um mundo injusto
já morreram nos paus de arara 
na boca de fuzis
já morreram de pauladas
coronhadas e ponta pés
no entanto
ainda se grita para viver e permanecer
em paz
ainda se grita pela terra e pelo pão 
e quando cai um irmão nas garras da repressão

faz 100 anos hoje
que a crítica se materializou em arma 
no ombro de cada trabalhador 
uma ferramenta de transformação social em massa
foi necessário que se percorresse cada vilarejo
cada taberna
para que do trabalho abnegado surgisse a esperança de um novo mundo
raiou na estepe a vitória de um povo
para que cada operário e camponês do mundo pudesse perceber que era possível aniquilar a miséria e a opressão 
e tomar em suas calejadas mãos, o poder

façamos nós, então
a nossa primavera
ainda que as forças da reação nos imponham um inverno frio e desesperançoso
avancemos, apesar de tudo
para que não se diga mais não senhor sim senhor
para que se viva com dignidade e sem exploração
rompamos as amarras do passado para fazer nascer um futuro justo e mais humano

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