Futebol para ler, ver e consumir

Revistas de futebol me encantam desde quando eu era bem moleque. Durante um tempo, comprei religiosamente a PLACAR, cujas páginas eu devorava logo que pisava em casa com cada nova edição. Era o que eu considerava que havia de melhor na imprensa esportiva — isso antes de virar jornalista, inclusive. Cresci ouvindo meu pai falando sobre a El Gráfico, da Argentina, e quando fomos pra Buenos Aires há alguns anos pude ver com meus próprios olhos como também era bom ler sobre o futebol dos hermanos se contado pelos próprios hermanos.
Com o tempo, por uma série de fatores, passei a ler cada vez menos a PLACAR. Hoje mal sei quando uma nova edição é publicada. Durante dois anos, tive a felicidade de assinar a El Gráfico - alegria interrompida pela alta do dólar, o que inviabilizou que seguisse com a assinatura. E curiosamente, junto com esses acontecimentos, passei a gostar e me interessar mais por revistas de futebol, ainda que o acesso a elas seja raro e quase exclusivamente digital. Como isso?
A resposta está no descobrimento de outras publicações que imediatamente viraram objeto de desejo, em especial as espanholas Panenka e Líbero. Já pude ter as duas em mãos e ambas comprovaram aquilo que eu esperava delas quando soube que tipo de histórias contavam: elas são fantásticas. Para quem é apaixonado por futebol e sente na leitura longa do papel um prazer que nenhuma outra mídia consegue dar, essas duas revistas estão no patamar mais alto entre o que há de melhor em veículos que falam de futebol.
O breve relato pessoal acima nada mais é do que uma introdução ao motivo pelo qual estou aqui, no Medium. Há algum tempo que namoro a possibilidade de escrever na plataforma, colocar ideias pra fora e abordar não só o futebol, mas também jornalismo e a soma deles dois como produto jornalístico. Mas não queria simplesmente escrever textos sobre qualquer divagação minha a respeito desses assuntos. Queria algo mais direcionado e concreto. Pensei, então, em explorar veículos estrangeiros (e por que não os brasileiros, eventualmente?) e discutir o que de interessante eles têm para apresentar aos apaixonados da bola.

Em 2014, já movido pelo interesse em saber mais sobre novas publicações, escrevi para o Impedimento duas matérias que tratavam do lançamento de revistas em um universo que cada vez menos consome esse tipo de mídia (as matérias podem ser lidas aqui e aqui). A América do Sul passava por uma fase de otimismo com o lançamento de algumas revistas, que logo encerraram suas empreitadas. Outras mundo afora ainda buscavam se consolidar, procurando o melhor modelo de negócio para sobreviverem.
Discutir o conteúdo desses veículos e apresentá-los para quem não conhece são alguns dos meus objetivos aqui com este espaço. De revistas a canais de Youtube, tratarei também de ir atrás daqueles que tocam o barco e procuram fazer jornalismo de qualidade quando o assunto é futebol, para ouvi-los e saber dos próprios suas ideias sobre jornalismo e sobre o poder e a importância desse esporte — para eles e para todos nós, consumidores de seus conteúdos.
O que não vai faltar aqui é futebol. Futebol para ler, ver e consumir. E discutir, é claro.