Fluxos

bhorah
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Nov 1 · 2 min read

Flashes incongruentes de todo o caos absoluto. Me imagino primeiro sendo sufocada pela água. Cabeça afundando e narinas sugando o líquido cristalino e gelado que corta todo o caminho até meus pulmões. Meus olhos abertos ardem. Meu corpo está em chamas e frio. Existe um certo torpor alucinante em fugir da realidade. Um gole de imaginação e estamos em outro lugar.

Decidi agora seguir um fluxo maluco de consciência. Subconsciência. Supraconsciência. Autoflagelamento. Autoculpabilidade. Sofrimento e alegria. Quando você fecha os olhos seus pensamentos passam muito devagar e logo quando você começa a pensar eles passam acelerados. Você consegue escutá-los? Você consegue evitá-los? Sequer consigo digitar e muito menos escrever no fluxo da mente incessante. Desliga! Desliga.

Inspira o ar como se fossem balas. O céu é lindo quando ninguém está olhando. De olhar dá até vontade de viver. O mundo é horrível e tudo está em chamas, as pessoas não se importam e não olham para a cara daqueles que vivem de nada nos meios das ruelas de nada. Cor de nada. Tempo. Só continua. O sol é tão lindo e brilha no céu, é quente e mata e brilha e cega. Eu olho diretamente para o céu até minha vista escurecer e doer e meus olhos derretidos vazarem pelas órbitas. Eu escrevo coisas feias, desculpa. Você nem imagina o quanto eu suavizo o que realmente se passa na minha cabeça. Dói, dói pensar o tempo inteiro.

Enxergo uma pessoa exatamente como eu sorrindo e com uma faca em suas mãos cravando a lâmina em sua carne, uma vez outra vez outra vez outra vez. O sangue é tão bonito, de uma cor forte, queimado, queimando, quente, quase negro, lindo, é fluído mas seca, coagula... A àgua. Água é a coisa mais linda que existe. Ela jorra para tudo quanto é lado e é incontrolável. Perigosa e vital. Se você não bebe água você morre, se bebe água demais rápido demais você morre. Tudo mata. O que é que não mata? Se eu pensar que sou indestrutível eu posso… Até pensar pode matar.

Numa das minhas segundas-feiras descobri que não são os outros que me tratam como descartável sempre, mas sou eu que me vejo assim. Ou interpreto assim. Mas não é a lógica absurda mais lógica? Nós somos matéria orgânica que um dia se estraga, descartáveis portanto. Pelo menos eu. Reciclável ao menos. Compostável. Utilizável pelo menos uma vez.

Às vezes o céu está lindo, às vezes está assustador. Mas como poderia ser diferente? As coisas são como são e não como deveriam ser. Primeiro a gente pseudonasce, depois pseudocresce, então pseudovive e morre. Morrer parece irreal para mim mas deve ser a única coisa que é real de verdade. Quando eu era criança achava que quando morríamos acordávamos. De um sonho pra vida. Que criança bizarra eu deveria ser!

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    Onde eu pratico minha escrita criativa e (às vezes) exagero no melodrama.