medo maior amor maior

antes em busca do amor cheio de sentidos e sorrisos e certezas, em busca de certezas muitas, de receber ouvir cumprir desejos sinceros, estar num perto em tempo máximo e dentro de um abraço que abraçasse mais que corpos e mais que espaço concreto,

o ideal anterior,

Foto: Carol Macêdo (instagram.com/carolmacdo)

agora vejo e entendo o tudo, parece que entendo demasiadamente, feito quem se propõe a compreender a si e o mundo de um jeito certo (inexistente),

o amor tão grande que agora tenho e que posso perder, a iminência de perder segue assustando, a possibilidade de fugir, de errar, de cair abismo abaixo, de se perder em vez de me encontrar e ficar, e então ir,

são agora temores de pouco tempo, assim, passageiros, de aparecer e darem-se de ombros;

percebo nesse tempo que o medo maior do amor maior é o de ver-te infeliz;

o medo real do amor real é o de ver-te sem felicidade, vivendo dum jeito capenga, junto de mim ou não, dado comigo ou não, meu medo extremo é que você não viva à altura do amor que você é, à altura do amor que te tenho,

meu medo é o de sua possível infelicidade.

o resto que for, que houver, pode haver doendo ou não; o novo pior seria esse, e somente esse, o de tu ter por dentro a infelicidade.

e por ora e num diante eu fico temendo só esse abalo mesmo, sem pensar tanto nele, mas com a certeza do que sinto por você perto e longe. perto e longe.

te amo. vou com você do jeito que for. vou com medo, sim, e com o amor inteiro.