queda contínua em apagão:

Bia Madruga
Jul 24, 2017 · 1 min read

é muito mais um poço sem fundo, em verdade, um muito pior que um fundo de poço, que além de metáfora batida demais não se aplica em nada a esse tudo,

um poço com fundo permite parada e resgate, é aliás um fim (com esperança de olhar pra cima e ver um claro um algo qualquer),

é poço sem fundo pois é queda contínua e sem freio, sem parada nem interrupção pra respiro, sem fim abaixo, possibilidade quase impossível de olhar acima e ver um espaço claro estático, posto que a queda não termina; é poço sem fundo e portanto sem volta, me parece;

numa queda contínua e silenciosa demais, ininterrupta demais, sem chão nem vozes e, cada vez mais, sem chance de ver acima e ver volta, é por isso que isso parece cada vez mais distante: a volta, a superfície, o normal de novo,

por isso que a frase de o tempo curar tudo e resolver demais é mentirosa em excesso para quem desça nesse contínuo sem chão; o tempo passando afasta ainda mais a certeza da superfície e da claridade comum; e, à medida que passa, afasta todas as lembranças do que é existir fora do poço também.

Bia Madruga

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não gosto do que escrevo publico mesmo assim

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