hiStÉriCa
substantivo feminino
[Figurado] Quem expressa insensatez, desequilíbrio emocional; desequilibrado.

A palavra “histeria” possui origem grega e significa útero. Na Grécia Antiga, acreditava-se que os sintomas histéricos eram encontrados somente nas mulheres e que advinha dos movimentos do útero.
Desde já, peço perdão aos psicólogos pela explicação simplista. Não estou escrevendo este texto com o intuito de falar da doença em si, mas de analisar a palavra no seu sentido figurado e social.
Nos últimos dias, tenho lido em muitos tuítes com comparações entre o tratamento da imprensa à ex-presidente Dilma e ao Bolsonaro. Também vi muitas mulheres pedindo para, depois da live nervosa, chamar o presidente de “histérico”. Mas não gostei disso.
Não estou aqui pra defender o Bolsonaro, longe disso. Somente acho que ele não é digno de ser “histérico”. É o momento de ressignificar histeria. Freud que me desculpe, mas sou muito histérica. Às vezes saio de mim, cometo atos de completa histeria. Como quando briguei com meu pai, porque ele disse uma frase machista ou quando fui as ruas lutar depois de uma garota ser estuprada por 30 homens ou quando impus minha voz dentro da sala de aula quando escutei colegas dizendo besteiras. Ou uma vez que briguei com dois homens desconhecidos por estarem olhando e fazendo gestos obscenos enquanto duas meninas se beijavam. E também fui extremamente histérica ao querer transar e sentir prazer.
Esse texto também foi um ato de pura histeria. E enquanto as coisas continuarem me incomodando, enquanto eu for mulher eu serei histérica. Já o Bolsonaro, um miliciano amedrontado.
