“Inclusão, intersecção, inovação, diversão, ops! Diversidade!

Como educadora tenho a imensa honra de tornar os alunos e as ações pedagógicas da escola como objeto de estudo social. Como profissional atuante em empresa, tenho a imensa honra de tornar as relações de trabalho meu objeto de estudo social. Como ser humano, tenho a imensa honra de tornar as relações sociais meu objeto de estudo social.

Tomando esse rumo, na última semana tive a felicidade de participar no “Encontro com a Inclusão” organizado pela escola de formação profissional onde trabalho, nesse evento que visava conscientizar os alunos a diversidade e inclusão na sociedade e ambiente de trabalho, pude observar e inter-relacionar com diversas das minhas leituras ao decorrer do tempo.

O evento foi preenchido com diversas atividades “mão na massa”, onde discentes e docentes interagiam sobre os temas abordados. Algo que me chamou bastante atenção foi a comprovação da importância da diversidade interseccional para inovação. É algo que tem sido falado a bastante tempo, mas só divulgado pra valer e parcialmente praticado agora. E posso afirmar que com sucesso. Obviamente, o sucesso seria maior se as práticas também fossem. Mas isso pensarei depois. Voltando aos alunos, a proposta de atividade era que incluíssem mesmo sem saber como fazê-lo. Eles tinham 15 minutos para criar um plano de ação 5W2H com apoio de um mapa de empatia, para diversos grupos considerados minoritários no ambiente de trabalho, e assim promover o desenvolvimento equitário deles. Entretanto, a maioria senão todos, não conheciam nada sobre as especificidades dessas “personas” e não havia tempo hábil para descobrir, como não há tempo de estruturar a inclusão com antecedência mesmo na vida real. Outro ponto, eles foram divididos em grupos aleatórios e mistos, onde turmas com perfis totalmente diferentes se reuniram para a ação. Quando me refiro diferente, é plural mesmo: jovens oriundos de abrigo com jovens de classe média no ensino superior, jovens não ingressos no mercado de trabalho com pessoas experientes. Enfim, os perfis eram diversos. Enquanto eu os observava e até agora, dias depois reflito naquele momento, e penso na importância da diversidade em grupos para inovação. Enquanto eles faziam o trabalho de modo ágil, criativo e rápido, porque o nível de empatia social era baixo. Como assim? Não existia o que comumente ocorre: somos um grupo único que pensa igual, e teremos uma ideia igual, e tendencialmente apoiarei as ideias do meu companheiro pois já temos uma conexão prévia. Qual a probabilidade de uma ideia original? Baixíssima, quase zero. Outro fator, é que como não se conheciam, eles quiseram “mostrar serviço”, fazer networking era uma oportunidade única. O nível de absenteísmo, ou vadiagem social, era zero. E quando um aluno quase fez isso, eu identifiquei o problema que era baixa estima. Que foi resolvido com a seguinte fala: “Precisamos de você aqui mesmo você se achando um idiota.” Ou seja, eles captaram a mensagem que cada um tinha seu valor e papel no grupo, e foi vital a inovação interseccional. Outro ponto o engajamento, o espaço favoreceu muito. Eles estavam no pátio, longe do ambiente formal de sala de aula. Não era aula. Não eram os professores deles. Não valia nota. Estavam ali porque havia motivação, houve todo um aquecimento prévio de dois dias para atividade. Não existia resposta certa ou errada. Espaço livre de críticas. O ambiente era leve e descontraído. Então, quando foram convidados a apresentar seus planos de inclusão, a pró atividade imperou. Ninguém foi obrigado a fazê-lo , os alunos se levantavam voluntariamente para pegar o microfone, falavam em público, de coração. Com emoção. Palavras que nem nós, profissionais, poderíamos ter dito melhor. Tudo porque o medo de rejeição não existia ali. Então conseguimos desenvolver um trabalho de alta perfomance, com pessoas diferentes, que não se relacionavam a todo tempo juntas, tudo devido a diversidade interseccionada. Ver a teoria sendo aplicada na prática na escola, isso sim não tem preço!