aurora

As luzes da sala continuam apagadas. Você me olha e ri a gargalhada mais gostosa do mundo. Passa as mãos nas minhas costas nuas e ameaça um beijo. 
Desiste.

Pega minhas mãos e aperta com força. Passa o dedo, na tentativa de um carinho, em uma delas. Entrelaça os indicadores. 
Solta.

Levanta, senta na cama, sorri e volta a deitar. Tontura. Te dou um beijo na bochecha, você retribui. Beija minha boca. Beija minha testa. Beija meu pescoço. 
Se afasta.

Levanto, nua, e pego um copo de água. Você me encara com olhos tristes, procura algo na minha expressão. Desvia o olhar. Me puxa pela cintura. Beija minha barriga. Beija meu quadril. Beija minha coxa.
Me empurra.

Volto a deitar. Olho pela janela. A noite não poderia ser mais escura. “A lua está avermelhada como o sangue da virgem”, digo, tentando ser cheia de meias palavras como aquelas mulheres que você gosta. A comparação não é das melhores, mas faz sentido, concorda. 
Se cala.

Fecha os olhos. Me abraça. Me deseja boa noite meio que sussurrando. Considera isso um segredo. A pele quente. Respiração forte. Te vejo dormir. Serenidade.
Me ensina.

O sol aparece tímido no céu. Levanta. Coloca a cueca. Está ao contrário, digo. Você me confunde, responde com braveza. Preciso ir, tchau. Tchau. Aparece mais vezes, eu adoro tua companhia.

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